Provenientes das paróquias de Albufeira, Almancil, Conceição de Faro, Estoi, Ferreiras, Lagoa, Loulé, Luz de Tavira, Quarteira, Quelfes, São Pedro de Faro (incluindo a comunidade do Patacão), São Sebastião de Lagos e Tavira, os animadores dos grupos de jovens católicos algarvios quiseram aprender mesmo a tirar maior partido dessa relação que se estabelece com a Bíblia. Para isso, debruçaram-se concretamente sobre o método da Lectio Divina que preconiza quatro etapas de leitura, aprofundamento, oração e contemplação da Palavra de Deus. Após o acolhimento e oração da manhã, o encontro permitiu a reflexão sobre ‘O lugar da Palavra de Deus na caminhada de fé do jovem’. Segundo o assistente do Sector Diocesano da Pastoral Juvenil (SDPJ), padre António de Freitas, o padre Flávio Martins, que orientou este momento, mostrou que “a Palavra de Deus não pode ser vista como um complemento que preenche momentos da caminhada de fé”, mas como “algo que deve fazer parte do crescimento e da vida”. “O animador tem a tarefa de chamar o jovem a rezar a Palavra de Deus”, afirmou, considerando que a leitura da Bíblia “é algo que deve ser saboreado e utilizado ao longo da vida”. Já no segundo momento de reflexão da manhã, que lhe coube orientar sob o tema ‘Lectio Divina: esquemas e dinâmicas’, o padre António de Freitas começou por definir a Lectio Divina como “a passagem da leitura da Palavra de Deus ao diálogo amoroso e profundo com Deus”. “O jovem é chamado, não apenas a ler e pensar, mas a dialogar com Deus, a partir da Palavra de Deus”, explicou. O assistente do SDPJ fez a apresentação do esquema clássico da Lectio Divina que contempla sete passos: preparação, leitura, meditação, oração, contemplação, partilha e acção. À medida que o fez foi explicando o modo de tornar essa metodologia mais prática, dinâmica e activa para os jovens, procurando “que não seja uma participação passiva e sem interesse” para os destinatários. Por fim, apresentou a tarefa do animador na orientação e no trabalho da Lectio Divina que passa por “preparar toda a estrutura, desde o ambiente, o Evangelho ou os cânticos”, prevendo o ritmo necessário a cada passo e reforçou que “o animador não é um sujeito que apenas orienta, mas que faz com os jovens a Lectio Divina”. A terminar apresentou para os grupos juvenis um esquema dinâmico e possível que compete ao animador adaptar consoante a realidade de cada grupo. À FOLHA DO DOMINGO, o assistente do SDPJ explicou ainda que depois da proposta daquele serviço diocesano para campanha da última Quaresma “alguns grupos partilharam a dificuldade de fazer a Lectio Divina por ser lhes parecer um esquema rígido, não sabendo como animar e dinamizar”. “Como consequência disso, procurámos ajudá-los a perceber que o esquema que existe pode ser animado e dinamizado de modos diferentes sem se cingir rigidamente ao que está predeterminado”, justificou, acrescentando que o SDPJ pretende “ir ao encontro do Programa Pastoral e desejo do Bispo diocesano de implementar nos grupos paroquiais esta prática da Lectio Divina” como “espaço de aprofundamento e exploração da Palavra de Deus que leva à mudança de vida” para que a Palavra de Deus “não seja algo de fora da vida dos jovens”. O padre António de Freitas explica que “há muito um conhecimento teórico e técnico da Bíblia”, mas é preciso fazer da Bíblia “um meio pelo qual se pode dialogar com Deus, a partir do confronto diário da vida”. De tarde, o encontro foi constituído por um painel – ‘A Lectio Divina na minha vida’ – que procurou demonstrar isso mesmo. Três jovens, testemunharam que têm relações diferentes com o exercício espiritual da Lectio Divina. Tiago Branco, antigo membro de um grupo onde era prática corrente o uso da Lectio Divina, garantiu que a partir do contacto com aquele método começou a ler a Bíblia “de maneira diferente”. “A partir da Lectio Divina percebi porque é que a Bíblia é especial”, sublinhou, destacando que os momentos de silêncio depois da leitura são o que mais lhe agrada. “Fazem-me abstrair de tudo e perceber que a Palavra de Deus encaixa na minha vida e é isso que mais me cativa na Lectio Divina”, frisou Teresa Martins também testemunhou exactamente o mesmo e explicou que faz a Lectio Divina no computador que lhe chega via Internet. “O compromisso fica ao longo do dia e ajuda-me a pensar a cada momento, com base naquela Palavra, como é que Deus me pede para agir em cada situação concreta”, explicou. Patrícia Mendonça testemunhou, como catequista de adultos, que os membros do grupo gostaram da proposta para fazer Lectio Divina em casa e começaram a pedir para fazer também no grupo, o que permitiu a partilha comunitária da interpelação pessoal que a Palavra de Deus suscitava à vida de cada um, bem como do testemunho em grupo do compromisso no dia-a-dia de cada catequizando assumido em consequência daquela prática. Por fim, os animadores realizaram por grupos um exercício prático de Lectio Divina e o encontro terminou com o plenário de partilha e a oração final.