O Bispo do Algarve considerou que o padre Américo Gomes dos Santos, natural de Maceda (concelho de Ovar) soube, com a Telescola, “responder a uma necessidade que, na altura, era mais do que necessária”, que “foi um bem imenso de aposta na educação e progresso do povo”. Na sessão solene, que teve continuidade na igreja paroquial da Fuseta, também João Leal, que introduziu os testemunhos sobre o sacerdote que veio do Porto para o Algarve por motivos de saúde, salientava que o antigo pároco da Fuseta “fez a ligação perfeita entre a Escola e a Igreja” numa altura em que “era a hora da educação”. Maria Teresa Rodrigues, também antiga professora da Telescola, foi uma das que usou da palavra para destacar que o antigo prior dedicou a sua vida à Igreja e ao povo da Fuseta, onde “ajudou a desenvolver a educação, a cultura, promovendo valores fundamentais como a tolerância, a partilha, a solidariedade para com o próximo, sem esquecer a referência com o transcendente”. “Trouxe a Telescola a esta terra (em 1965), dando oportunidade às crianças e aos jovens de se educarem e se tornarem homens do futuro, construindo ele próprio, com a ajuda de serventes as salas de aula onde ensinou”, testemunhou, lembrando ainda o empenhamento do homenageado na casa de trabalhos para aprendizagem de lavores femininos que fundou, o apoio dado à autarquia na do Centro Social de Nossa Senhora do Carmo com a valência de Centro de Dia e o melhoramento das “Casas dos Pobres”. Maria Teresa Rodrigues considerou mesmo que o falecido sacerdote “revolucionou, no bom sentido, a mentalidade” das gentes da Fuseta. “Hoje, médicos, professores, engenheiros, advogados e outros, naturais desta terra e não só, fazem jus ao papel importante que o senhor padre Américo teve na sua educação”, frisou, justificando que o objectivo daquela homenagem foi o de “dar a conhecer às novas gerações quem foi este homem e sacerdote” que procurou proporcionar às novas gerações da altura um outro horizonte de futuro que lhes permitisse escapar ao tradicional destino de serem pescadores ou marceneiros. Como outros intervenientes, a professora aposentada recordou os trajectos feitos pelo sacerdote com a sua “carrinha de apanhar moços” para levar a casa os alunos depois das aulas na Telescola, caso contrário, mal concluída a instrução primária, iniciariam com 7/8 anos a sua actividade profissional como “moços de barco”. Hélder Carrasqueira, hoje professor da Universidade do Algarve, foi um dos que usufruiu da boa acção do padre Américo Gomes dos Santos, tendo proposto à consideração da Câmara de Olhão que as bolsas de estudo que a autarquia anualmente atribui possa vir a ser designadas com o nome do antigo pároco da Fuseta. Também o cónego monsenhor Joaquim Cupertino, amigo do falecido sacerdote, interveio para considerar o homenageado um “benfeitor da intelectualidade” daquela terra. Consideração corroborada por Francisco Leal, presidente da Câmara de Olhão, que lembrou que o impulso da Telescola transformou muito a sociedade local e que o trabalho do padre Américo Gomes dos Santos não se limitou à Fuseta, mas estendeu-se às freguesias limítrofes. D. Manuel Quintas encerrou a sessão para reconhecer que o testemunho do homenageado é “ensino de vida” para o modo como poderá exercer o seu episcopado no Algarve. A sessão de homenagem, que contou ainda com a presença, para além do actual pároco da Fuseta, o padre Alberto Teixeira, do cónego Gilberto Soares Santos e do padre Jorge Carvalho, pároco de Quelfes, teve continuidade no exterior da igreja com o descerramento de uma lápide com o busto do homenageado que nasceu em 1919 e faleceu em 1986. O padre Alberto Teixeira desejou que a vida e o testemunho do homenageado possa ser um “forte impulso” a que todos também se empenhem na “construção de um mundo melhor, em prol do bem comum”. Mais fotos, na Galeria de Imagens