Presidida pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Neto Quintas, e concelebrada pelo Bispo Emérito da diocese algarvia, D. Manuel Madureira Dias, e por muitos sacerdotes das dioceses do Algarve, Beja e de Évora, assim como de Espanha (em representação do Caminho Neocatecumenal do qual foi membro Flávio Martins) e até de outros sacerdotes que trabalharam nos últimos anos na diocese do Algarve, a celebração foi ainda participada por fiéis de todas as partes da região algarvia, com particular destaque para as terras de origem dos dois ordenados, Monte Gordo e Monchique, e até por outros cristãos que vieram propositadamente de fora do Algarve. O presidente da celebração, constatando a presença de inúmeras crianças, adolescentes e jovens, aproveitou para apelar ao discernimento vocacional destes últimos. “Rezem ao Senhor para que o acompanhamento deste momento não fique apenas por aí, mas que o testemunho destes dois jovens fale ao coração de cada um de vós, de modo a escutardes como eles os apelos de Deus face às necessidades da nossa Igreja diocesana”, exortou D. Manuel Quintas, dando “graças a Deus por este dom” para a diocese algarvia e para toda a Igreja. O Bispo diocesano, procurando fazer memória da preocupação dos fiéis algarvios com as vocações, começou por sublinhar na sua homilia que “converge para esta atitude de louvor a oração de toda a Igreja diocesana, este ano convocada mais uma vez para celebrar um tempo dedicado ao Seminário com o Lausperene eucarístico, exprimindo assim a comunhão na oração insistente ao Senhor da messe e na comum co-responsabilização da Pastoral Vocacional”. “Damos graças a Deus, caríssimos Flávio e Pedro, pelo chamamento que o Senhor vos dirigiu, pelo testemunho favorável do povo cristão e dos responsáveis que vos apresentam a mim e à nossa Igreja diocesana, pela resposta que há muito vindes dando e sobretudo por vos dispordes hoje a acolher com total liberdade e disponibilidade que o Ele vos vai conferir pela imposição das minhas mãos”, disse. A propósito da Palavra escutada, o Bispo do Algarve salientou que “é Deus que chama”, “é Ele que consagra, que constitui profeta, que envia, que entrega a mensagem a transmitir e que assiste na realização da missão”. D. Manuel Quintas lembrou, a propósito, que “só em ambiente de intimidade e de amizade é possível viver com fidelidade a missão que Deus confia”. “Missão que deve ser acompanhada por um testemunho de intensa alegria, fruto da expressão de uma vida toda consagrada a Cristo e ao anúncio do Evangelho”, acrescentou. O Prelado explicou igualmente que “a instituição do diaconado na Igreja é expressão de uma comunidade animada pelo Espírito do qual recebe a capacidade e a força para ser testemunha de Cristo ressuscitado no mundo”. “O amor que se faz serviço e doação aos outros constituirá sempre, e em todos os lugares, o sinal identificativo dos seus discípulos. A natureza sacramental do ministério eclesial faz com que aquele esteja intrinsecamente ligado do carácter de serviço. O modelo por excelência é Cristo que assumiu livremente por nós a condição de servo”, esclareceu D. Manuel Quintas, frisando que “esta característica, se bem que assuma maior relevância na vida e no ministério dos diáconos, constitui o distintivo e a marca de qualidade de toda a Igreja, devendo, por isso mesmo, estar presente em cada um dos seus membros”. “A espiritualidade do serviço deve constituir para todos o denominador comum ao assumirmos como palavra de ordem «a construção do caminho de comunhão como meio para superar as discrepâncias dos que se dizem cristãos e depois não vivem integrados, nem participam na vida da comunidade»”, advertiu o Bispo diocesano interpelando os cristãos algarvios presentes, agradecidos pelo dom do Flávio Martins e do Pedro Manuel, a acolherem também o mesmo apelo e a progredirem no caminho do serviço e de dedicação aos outros. Dirigindo-se directamente aos dois jovens que iriam momentos depois receber o primeiro grau do Sacramento da Ordem, D. Manuel Quintas exortou-os a terem sempre presente algumas disposições indispensáveis ao exercício do seu ministério. “Procurai, de todo o coração, fazer com amor a vontade de Deus. Servindo ao Senhor, servi também aos homens com alegria. Como sabeis que ninguém pode servir a dois senhores, considerai toda a impureza e o apego aos bens como servidão e idolatria conforme refere o ritual da ordenação. Deveis ser homens de bom testemunho no Espírito Santo e cheios de sabedoria. Exercereis o ministério constituídos em celibato. Este é, ao mesmo tempo, o sinal e o estímulo da caridade pastoral e fonte de fecundidade no mundo. Neste estado unir-vos-eis mais facilmente ao Senhor de coração indiviso, entregar-vos-eis com maior generosidade ao serviço de Deus e dos homens e mais livres servireis a obra da regeneração sobrenatural. Enraizados e firmes na fé apresentai-vos irrepreensíveis e puros diante de Deus e dos homens. Não vos aparteis da esperança do Evangelho do qual deveis ser ministros e não apenas ouvintes. Guardai o mistério da fé numa consciência pura. Mostrai nas vossas obras a Palavra de Deus que pregais com os lábios para que o povo cristão, vivificado pelo Espírito, se torne oblação pura agradável a Deus”, referiu o presidente da celebração. Lembrando a presença naquela celebração da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima que percorre a diocese algarvia até 2009, o Bispo diocesano interpelou os dois jovens algarvios a consagrarem o seu ministério a Maria, “a serva do Senhor”. “Acolhei-a como Mãe e escutai-a como mestra do vosso serviço à Igreja no seguimento da identificação com Cristo”, concretizou. Após a homilia seguiu-se então o rito da ordenação, constituído por alguns gestos significativos, mas que teve como momento mais importante o da ordenação propriamente dita com a imposição das mãos do Bispo diocesano sobre os dois candidatos ao diaconado. Um dos gestos significativos foi a colocação das mãos dos candidatos a diáconos nas mãos do Bispo, um gesto de comunhão e de unidade, prometendo-lhe obediência e reverência enquanto sucessor dos apóstolos, sinal e garante da unidade da Igreja e desta com a Igreja de Roma. Os outros momentos de destaque aconteceram já depois da ordenação com os recém-ordenados diáconos a serem revestidos com as vestes diaconais, com a estola à maneira diaconal e a dalmática, recordando que, antes de mais, se devem continuamente revestir de Cristo. De seguida, foi-lhes entregue o livro dos Evangelhos que agora, de modo particular, têm a missão de anunciar, mas sobretudo de amar e viver. Igualmente significativo foi o abraço aos restantes diáconos presentes das dioceses do Algarve e Évora e o serviço ao altar que prestaram durante a liturgia eucarística. A terminar a celebração, D. Manuel Quintas exortou uma vez mais a numerosa assembleia presente a não esmorecer na oração pelas vocações. A diocese do Algarve passou agora a contar, para além dos seis diáconos permanentes que já tinha, com mais dois membros do ministério diaconal, mas estes com carácter breve e transitório, pela natureza da sua caminhada rumo ao sacerdócio. Mais fotos na ‘Galeria de Imagens’.