Nem todos concordaram com tal abstenção e houve mesmo um médico, o Dr. Stefano Ojetti, que se demitiu do cargo de Conselheiro do Colégio de Médicos, denunciando o comportamento do seu colega anestesista como violador do juramento de Hipócrates e do Código Deontológico dos médicos italianos, classificando a morte de Piergiorgio Welby como uma "triste e obscura página da história da nossa medicina". Para aqueles que acabamos de sair de uma campanha do referendo ao aborto, onde enfrentamos médicos e outros profissionais de saúde que nas suas intervenções revelaram a maior indiferença pelo valor da vida humana, acusando-nos de "sacralizar" a vida e procurando justificar os abortamentos com os argumentos mais descabelados, pois não podendo negar a existência da vida humana desde a concepção, optaram por desqualificar essa vida, alegadamente por ser uma vida "ainda sem qualidade", por não ter cérebro ou cortex cerebral, não ter ainda sentimentos ou sensibilidade à dor e por aí fora, quem como nós ouviu estes tecnocratas da saúde, proferirem impávidos e serenos todos estes disparates, não ficamos minimamente nada espantados com a decisão do Colégio Médico Italiano. Por trás destas posições e pronunciamentos aparentemente "neutrais", "neutrais" por alegarem querer conferir a cada um o direito de decidir sobre a vida ou a morte, estão ideologias materialistas, Marxistas ou Liberais, mas sempre e em qualquer caso materialistas, que não reconhecem Deus como Criador e Senhor da vida e da morte, ideologias, que colocam no lugar de Deus como último fundamento ético dos nossos comportamentos a democracia, como se uma qualquer maioria, seja ela a maioria do eleitorado, a maioria dum parlamento ou a maioria de um Colégio Ciêntifico ou Profissional, tivesse competência para decidir o que é eticamente correcto, o que é bem ou o que é mal, quem pode ou não pode nascer, quem deve ou não deve morrer. O heróico gesto do Dr Stefano Ojetti, que não se conformou com a maioria, não se conformou com a mentalidade dominante, não se conformou "com este mundo", para usar a terminologia de S. Paulo, é um exemplo para todos nós e muito especialmente para todos os médicos e profissionais de saúde cristãos que não devem desanimar no combate quotidiano em defesa da vida humana desde o primeiro instante da concepção até à morte natural. Tal empenhamanto, no campo da saúde como no sector do direito e da justiça ou da solidariedade social e do ensino ou de qualquer outro, pode fazer com que nos passem a "olhar de lado", a fazerem chacota, a rirem-se de nós, com aqueles sorrisinhos sarcásticos próprio dos medíocres que alinham sempre com as maiorias só para se sentirem sempre na mó de cima, a apoucarem-nos, pode chegar até ao insulto pessoal à ameaça e intimidação, ao ostrascismo e marginalização. Não faz mal! Os cristãos devem estar preparados para o martírio e há muitas formas de martírio, muitas vezes não compreendidas até por muitos que se dizem cristãos e pretendem estar de bem com Deus e com os poderes do mundo.