Os defensores da Vida, reunidos numa acção simbólica perto do Hospital Distrital de Faro, uma das unidades hospitalares que irá praticar a intervenção, quiseram assinalar um dia que consideraram “de luto” mas procuraram simultaneamente deixar um sinal positivo “de esperança”. “É também uma homenagem que fazemos aos profissionais que são objectores e também às mulheres que pretendem ter os seus filhos, apesar das dificuldades”, referiu Miguel Reis Cunha, um dos ex -mandatários do ‘Algarve pela Vida’. “É um acto simbólico, mas como a simbologia só não chega, o que interessa é o que nós fazemos depois no terreno”, acrescentou. A iniciativa, também de tributo às mulheres que optam por gerar os seus filhos, viria a ser marcada pela entrega de um ramo de rosas vermelhas a uma mãe de três filhos que esteve presente com a restante família e pela colocação de uma rosa junto da vedação da unidade hospitalar em homenagem às crianças que não poderão nascer. José Santos Matos, médico, lembrou que “médicos e enfermeiros estão vocacionados para prolongar e dar mais qualidade à vida e nunca para a destruir”. “Pôr os serviços de saúde a trabalhar contracorrente é uma enormidade”, considerou, acrescentando que “tudo o que seja contra a natureza é um erro humano grave” e que “esta lei é um erro anti-natural porque é contra a vida”. Santos Matos entende ainda que “o Governo vai ter muitas dificuldades em pôr os serviços de saúde a trabalhar contracorrente”. Luís Henriques, da Caritas Diocesana do Algarve, testemunhou que o SOS Vida é “um dos pólos de referência na protecção à vida no Algarve” que já protegeu cerca de 500 mães. Aquele responsável adiantou que a obra, entregue à gestão da Caritas, “está disposta a avançar com uma informação, formação e sensibilização na linha da vida”. Concretamente será distribuído brevemente um pequeno panfleto com os fundamentos, os objectivos e as estratégias do SOS Vida Algarve. A finalidade será “sensibilizar a sociedade em geral e informar as mães em risco por forma a que, em caso de necessidade, a Caritas as possa receber”. Luís Henriques explicou que “a mãe é acolhida no lar e tem depois um acompanhamento social e humano dentro das possibilidades da Caritas, inclusive um acompanhamento profissional através de uma formação para que posteriormente consiga sobreviver com a sua criança”. Considerando que “foi aprovada uma lei criminosa”, porque “o aborto é um atentado à vida”, Luís Henriques considerou que “é preciso que as pessoas não adormeçam à sombra da lei” porque “a sociedade tem obrigação de resolver os problemas” de quem pensa recorrer a esse acto. “Pensamos também no início do próximo ano lectivo fazer uma divulgação aos jovens para que, em caso de surgir uma vida, eles saibam que a alternativa não é aquela que o Governo lhes deu – o aborto – mas a protecção à vida”, concluiu. Blogue ‘Algarve pela Vida’ O ‘Algarve pela Vida’ deu ainda continuidade à sua acção depois do referendo com um blogue (http://algarvepelavida.blogspot.com) na Internet que pretende “ser um espaço de opinião e promoção da vida, nas suas mais variadas vertentes”, e na qual participam não só mandatários e colaboradores do que foi o grupo cívico, mas também todos aqueles que desejarem. O blogue ‘Algarve pela Vida’ junta-se assim a outros blogues e sítios, “para congregar esforços, dar informação e divulgar iniciativas relacionadas directa ou indirectamente com a defesa da vida”. “Pretendemos dar eco às mais variadas associações, fundações, organismos públicos, comunidades religiosas e quaisquer entidades que partilhem este ideal. Queremos apoiar todos aqueles que trabalham para que a vida seja mais bem acolhida e a maternidade seja cada vez mais estimada”, explicou o ‘Algarve pela Vida’. Naquele espaço reúnem-se artigos de opinião, notícias de natureza estatística ou científica, anúncios de cursos de formação na área da família, da educação sexual e do planeamento familiar, iniciativas de apoio à mães que esperam um filho, à infância, à família, à adopção, ao voluntariado, de promoção de medidas legislativas favoráveis à vida e contra a exclusão social.