D. Manuel Neto Quintas aproveitou a celebração da solenidade do Natal do Senhor para tecer algumas considerações em relação à essência da matéria que será decidida pelos portugueses, através de referendo popular, no próximo dia 11 de Fevereiro. Aproveitando a festa da Vida, do nascimento de Cristo – para os cristãos, o Salvador da humanidade que veio resgatar o homem para a Vida nova – associada a uma presença massiva de fiéis na Eucaristia do meio-dia na Sé Catedral de Faro, o Bispo diocesano lembrou que "a Vida, não sendo exclusiva do homem, define o próprio homem na sua dignidade, na sua responsabilidade, no drama da sua existência e no horizonte da sua esperança que se afirma como desejo de mais Vida e de uma Vida melhor". "A Vida, como bem mais precioso, constitui para o homem o desafio para a liberdade, a motivação para a generosidade e responsabilidade, o fundamento principal da exigência ética, porque aí se descobre como ser responsável perante a sua própria Vida e a dos outros homens", complementou D. Manuel Quintas. O Bispo do Algarve recordou mesmo o "carácter paradoxal" e "contraditório" da própria existência do homem, no modo como aborda a questão da Vida. "É capaz das mais sublimes expressões de generosidade e das mais degradantes manifestações de violência e desprezo pela Vida", considerou o Prelado, apontando alguns exemplos práticos. "A alegria encantada da mulher que exulta com a notícia da sua maternidade ou recebe pela primeira vez, nos seus braços, o filho recém-nascido é ensombrado pelo drama de mães que abandonam os seus filhos ou lhes roubam a Vida antes de nas-cerem, instigadas por outros ou levadas a isso por situações de diversa ordem, face às quais sozinhas se sentem impotentes para as ultrapassar. À generosidade heróica de tantos ao serviço da Vida e dos seus irmãos, contrapõem-se a violência de quem não hesita em matar ou prejudicar os seus irmãos da sua exclusividade de viver. Anuncia-se com júbilo o resgate de sobreviventes depois de vários dias soterrados nos escombros de uma tragédia e noticia-se igualmente com ternura a descoberta de um bebé abandonado. A ciência genética abre novas esperanças à qualidade de Vida como a possibilidade dos pais poderem congelar as células estaminais do cordão umbilical dos seus bebés, mas simultaneamente ressuscita-se o tema da legalização do aborto e continuamos a assistir, com perplexi-dade, à ascensão repetitiva do abuso e violência sobre crianças indefesas", frisou o Pastor da diocese algarvia. Perante estas "atitudes contraditórias frente ao mistério da Vida", D. Manuel Quintas concluiu que "o homem precisa de aprender a lição do Natal e precisa da redenção". O Bispo diocesano salientou ainda na sua homilia do Dia de Natal a Vida como "primeiro dom de Deus". "Cultivá-la e respeitá-la é manifestação da nossa fidelidade ao Deus que nos faz viver", complementando que "o facto da Vida ser um dom de Deus e participação na própria Vida divina exige, a cada homem, que seja servidor da Vida, da sua e da dos seus irmãos". Por fim, D. Manuel Quintas lembrou que a Igreja nasceu "da Vida nova do Ressuscitado". Por isso, "não peçam à Igreja que, alguma vez e em qualquer circunstância, seja contra a Vida, porque se o fizer será infiel à sua natureza e à sua missão para a Vida e pela Vida", justificou.