O presidente da Câmara de Loulé, médico de formação, começou lamentar a falta de elementos de ligação das comunidades. Seruca Emídio assegurou que o “processo de modernização” do Hospital da Misericórdia em Loulé deverá estar concluído no final deste ano e destacou também a implementação da Unidade Móvel de Saúde que funciona no município, assistindo a população, por exemplo no controle do colesterol ou hipertensão. “Num concelho tão grande como o nosso faz todo o sentido termos uma Unidade Móvel com enfermagem, pessoal técnico apropriado para transmitir esta sensação de segurança às populações”. O autarca considerou ainda que um dos principais problemas da área da saúde em Portugal é a “falta de confiança que os utentes sentem no Serviço Nacional de Saúde”. Seruca Emídio lamentou ainda que a “relação de confiança e proximidade entre médico e doente” tenha sido “completamente quebrada nos últimos anos”. “Isto tem um custo social que é necessário e urgente estabelecer”, defendeu. Outros dos problemas apontados pelo autarca foi a “falta de humanização” existente nos serviços de saúde. Seruca Emídio defendeu que “o voluntarismo é fundamental como complemento do trabalho feito pelos técnicos” e valorizou a “aproximação às pessoas e o acompanhamento”. Como exemplo da falta de humanismo apontou a realidade dos serviços de urgência. Em relação à sua sobrecarga de atendimento considerou que “a culpa é do sistema que está alicerçado nas urgências, quando devia estar alicerçado no médico de família e nos centros de saúde para evitar que todos recorram ao serviços de urgência”. Em relação ao Algarve, afirmou ainda que “é necessário ter outro paradigma de saúde”. “Tínhamos óptimas condições para convidar médicos de outras partes do País para virem com as famílias passar férias no Algarve e contribuírem com um ou dois dias de trabalho semanal porque pode colmatar o substancial aumento de necessidades que temos durante o Verão”, defendeu. O presidente da ARS – Administração Regional de Saúde, procurou mostrar o que tem sido feito com vista a melhorar os serviços na região nos últimos anos, particularmente pelo actual Governo. Rui Lourenço começou por destacar que “o Algarve rejuvenesceu por via da população activa”. “Hoje temos mais nascimentos do que há 10 anos atrás”, garantiu, avançando que “este ano provavelmente atingiremos os 5000 nascimentos na região”. Como justificação, acrescentou que um em cada 20 dos bebés nascidos é filho de mãe estrangeira. Face a esta realidade deixou a esperança que daqui a 40 anos, o Algarve tenha “um pouco menos idosos que o resto do País”. Aquele responsável indicou igualmente que 25 por cento das famílias algarvias registam “valores de rendimento inferior ao limiar de pobreza” e que 35 por cento dos grupos familiares registam “níveis de rendimento inferior ao índice de privação médio” relacionado com alojamento, bens de equipamento ou meios de transporte. Como principal causa de mortalidade na região, indicou as doenças cardiovasculares, seguidas dos tumores malignos, acidentes de tráfego, VIH/SIDA e suicídio. Destacou ainda o início de rastreios à população como o de Retinopatia Diabética, Cancro Cólon e Recto e Cancro da Mama. Destacando como prioridade do Governo para a presente legislatura os cuidados continuados a pessoas idosas e dependentes, indicou que a região passou de 125 a 246 camas e que “até final de 2010 teremos 578 camas”. Neste contexto informou que circulam no terreno 18 equipas domiciliárias móveis que assistem 1500 pessoas assistidas, estando prevista a criação de mais três durante este ano. A reorganização dos Centros de Saúde, criação de Unidades de Saúde Familiar (USF), que frisou ser outra das prioridades governamentais, possibilitou a criação de seis USF já a funcionar, estando mais duas aprovadas. “Os Centros de Saúde também foram transformados e organizados por agrupamentos (Barlavento, Centro Sotavento) e em unidades”, adiantou, acrescentando que “estamos a caminho de ter todos os Centros de Saúde com desfibrilhadores automáticos externos”. Rui Lourenço congratulou-se ainda por a unidade hospitalar do Barlavento algarvio ter sido reconhecida, com mais duas no País, como Hospital Amigos dos Bebés. O presidente da ARS sublinhou mesmo que, comparativamente ao resto do território nacional, a situação do Algarve é bastante melhor. “Resolvida a questão de recursos humanos por via da contratualização, temos uma situação excepcional em relação ao resto do País. Neste momento temos um acesso muito maior à consulta e à cirurgia e uma lista de espera que cresceu porque há mais pessoas a serem atendidas”, garantiu, considerando que, “ao contrário do que pensamos, estamos a funcionar muito bem em algumas áreas”. A terminar defendeu que “o Algarve pode vir a ter condições para que, a par do Turismo, ou ligado ao Turismo, tenha na saúde um pólo de desenvolvimento que responda aos desafios do século XXI”. “Isto pode permitir que tenhamos na região investimentos turísticos de excelência na área da saúde”, concretizou, referindo-se a unidades de internamento públicas ou privadas no Algarve “que trabalhem para todo o mundo”. Rui Lourenço manifestou ainda uma visão algo redutora do conceito de assistência espiritual dos doentes identificando-a quase apenas com a sua dimensão de acompanhamento na morte. O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Loulé, o terceiro a intervir, garantiu “muitas pessoas” procuram a instituição com a intenção de internar familiares que têm carências de saúde mesmo sem serem idosos. Manuel Simeão reconheceu que a Misericórdia de Loulé acaba por acolher estes utentes “porque as famílias não têm condições, na maior parte dos casos, para tratar de doentes acamados ou outros, mais ou menos dependentes”. “Ultimamente estão a aparecer casos com doença de Alzheimer”, testemunhou considerando que “a adaptação desses doentes, por vezes, é muito difícil”. “Devia haver no Algarve estabelecimentos que tratassem deste tipo de doença”, frisou Manuel Simeão. O provedor explicou ainda que a “preocupação” da instituição com os utentes levam-na a ter um sacerdote católico que administra os sacramentos à maior parte da população internada. “A oração é um momento de encontro com Deus e com a comunidade que se reúne para orar e proporciona apoio psicológico e espiritual”, afirmou. Em relação ao Hospital da Misericórdia em Loulé, adiantou que passará a dispor de Unidades de Cuidados Continuados de Saúde, de Cirurgia em Ambulatório, de Atendimento Permanente, de Consultas de Especialidade em Ambulatório, de Apoio Domiciliário, e unidades funcionais, como análises clínicas, gastrenterologia, entre outras. Segundo aquele responsável o hospital oferecerá ainda “iniciativas gratuitas de saúde pública” como acções de prevenção, sessões de esclarecimento, rastreios, campanhas, entre outras. Francisco Amaral, o ultimo interveniente da mesa, lamentou que a realidade do País seja outra que “não tem nada a ver com os estudos, planos, filosofias e as leis que se fabricam”. O presidente da Câmara de Alcoutim, também médico de formação, referiu-se a iniciativas diversas promovidas pela autarquia da serra algarvia para garantir assistência à saúde da população, particularmente envelhecida, da sua área. O autarca apontou como exemplo o acordo com um laboratório para fazer semanalmente análises ou o autocarro que traz a Faro, dois dias por semana, os doentes para fazer exames, servindo também familiares que vêm visitar os seus doentes ao Hospital de Faro. Testemunhou que a autarquia disponibiliza ainda uma carrinha para levar os doentes à farmácia aviar as receitas e que assegura casas mobiladas para técnicos de saúde. Francisco Amaral lembrou ainda que a Câmara começou por pagar as cirurgias às cataratas e que a edilidade estabeleceu um acordo com o Centro de Alcoologia de Lisboa e mais tarde com uma comunidade terapêutica de Évora para tratar os alcoólicos. A campanha anti- tabágica dirigida aos funcionários da autarquia e aos fumadores carenciados que teve “50 por cento de sucesso” também não foi esquecida, bem como o acordo com uma clínica que segue semanalmente para Alcoutim para fazer testes auditivos. O autarca criticou o Estado em relação à sua actuação no sector da saúde considerando que o mesmo, tal como o Governo, “demitiu-se das suas funções”. “Ainda hoje não percebo porque é que o Governo não vacina contra a gripe todas as pessoas do País com mais de 65 anos. Há uma dúzia de anos que não há um surto de gripe em Alcoutim”, criticou Francisco Amaral, defendendo que os ganhos seriam “até em termos financeiros”. O presidente da Câmara de Alcoutim lembrou também que “o problema das cataratas ainda não se resolveu”. “Neste País parece que os problemas só existem quando aparecem na televisão”, lamentou. Em relação ao tabagismo, classificou a actuação estatal escandalosa, lamentando que “o Estado, que explorou uma vida inteira a carteira e a saúde do fumador, um dia mais tarde quando este quer deixar de fumar, não comparticipe um único medicamento”. “Cinco sextos do custo do maço de tabaco vai para o Estado. Isto é um negócio formidável para Estado”, confrontou. Relativamente ao combate à surdez lamentou também que uma prótese auditiva que custa cerca de 1000 euros, seja comparticipada pelo Estado apenas em 22 euros. “Em contrapartida, os beneficiários dos subsistemas (ADSE, SAMS, Forças Armadas), que são os que menos precisam, têm uma taxa de comparticipação de cerca de 600 euros”, reprovou. A terminar, Francisco Amaral alertou ainda para o “drama” da toxicodependência vivido no seu concelho. “Cheguei a ir várias vezes à Isla Cristina (Espanha), que era o «Casal Ventoso» do Sotavento algarvio, buscar, a pedido dos familiares idosos, toxicodependentes”, denunciou. Mais fotos brevemente na Galeria de Imagens Ouça novamente as conferências ou veja as conclusões aqui