Cerca de 90 participantes, oriundos de Boliqueime, Cachopo, Loulé, Martim Longo, matriz de Portimão, Odiáxere, Olhão, Paderne, Pechão, Quarteira, Quelfes, São Brás de Alportel, Sagres, Salir, São Luís de Faro, Sé de Faro, Silves, Vaqueiros e Vila do Bispo, participaram no salão da Assembleia Municipal de Loulé, no I Fórum da Pastoral da Saúde que antecipou a resposta à pergunta que o padre Joel Teixeira faria na homilia da Eucaristia de encerramento daquela iniciativa promovida pelo Secretariado da Pastoral da Saúde da Diocese do Algarve: “como é que vivemos os sofrimentos da nossa vida?”. “Somos convidados a viver de uma forma nova”, apresentaria como conclusão o sacerdote, a mesma, que a iniciativa concluída momentos antes, fazia ecoar naqueles que nela participaram. E porque “ser cristão é também estar atento à vida concreta das pessoas e a doença faz parte desse dia-a-dia”, como salientava o padre Joel Teixeira no início do fórum, o Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, que também esteve presente na sua abertura, destacou a importância da assistência religiosa e espiritual do doente como um “dever” que compete à Igreja e um “direito fundamental” do doente. Isto mesmo o confirmariam os intervenientes. Seruca Emídio, presidente da Câmara de Loulé, concordaria que a Igreja “tem uma organização, uma sensibilidade e condições que mais nenhuma entidade tem”. Opinião coincidente com a de Francisco Amaral, presidente do município de Alcoutim, que classificou a Igreja como “parceiro fundamental nas questões da saúde”. “Se não fosse as IPSS o que era isto?”, evidenciou. O diácono Rogério Egídio, capelão do Hospital de Faro, confrontou curiosamente que, não obstante o Governo ter reconhecido a importância da espiritualidade na Lei da Rede Nacional de Cuidados Continuados, na referência que é feita às equipas multidisciplinares, a espiritualidade não aparece. Esta constatação torna-se tanto mais enigmática porque no Plano Nacional de Saúde, elaborado sob a coordenação da Direcção-Geral de Saúde, a espiritualidade é contemplada de forma “organizada e continuada”. Implícito à realização do fórum em que participou também o capelão do Hospital de Beja, José Maria Coelho, ficou ainda a conclusão da necessidade de humanização da saúde. “Antigamente morria-se em casa, com menos condições de assistência médica, mas morria-se muito melhor”, reconheceu Seruca Emídio, na certeza de que é necessário alterar os seus paradigmas para termos “melhor saúde”. Francisco Amaral evidenciaria na mesma linha que “as voluntárias são dos mais importantes elementos que andam no Hospital de Faro”. Neste contexto de humanizar a saúde, também o Bispo do Algarve avançaria no início do fórum com a preocupação de que “doente não é só aquele que está internado no hospital”. “A ligação do hospital à paróquia de origem é essencial e fundamental”, justificaria D. Manuel Quintas defendendo que “a acção da Pastoral da Saúde deve estender-se também aos doentes, idosos e acamados que continuam nas próprias comunidades”. Essa mesma constatação ficaria expressa num dos pontos das conclusões do fórum como sinal do objectivo que esteve inerente à sua realização como referiu o padre Joel Teixeira no encerramento da actividade: “que as conclusões a que chegamos sejam colocadas em prática”. O mesmo documento (consultável aqui) exorta ainda a “que seja criado na Diocese [do Algarve] o Conselho da Pastoral da Saúde, congregando médicos, enfermeiros, farmacêuticos, capelães, assistentes sociais, auxiliares, administrativos, outros profissionais de saúde e voluntários, das instituições de saúde como das paróquias, que sejam responsáveis pela dinamização de iniciativas” e a “que todos os agentes da Pastoral da Saúde se prepararem para um trabalho conjunto e organizado”. É ainda referida a dinamização dos “núcleos paroquiais da pastoral da saúde”. Para além disso, o diácono Rogério Egídio anunciou ainda a constituição de um núcleo diocesano de médicos católicos. Aquele membro do Secretariado Diocesano da Pastoral da Saúde, divulgou também os números da Capelania do Hospital de Faro para o ano de 2008. Foram visitados 2880 homens e 3137 mulheres, administrado o sacramento da Reconciliação a apenas 4 utentes, e o da Comunhão a 1047 doentes. 109 receberam a Santa Unção e 4 foram baptizados. A Capelania atendeu ainda 29 utentes de outras confissões religiosas que não católicos. Mais fotos brevemente na Galeria de Imagens Ouça novamente as conferências ou veja as conclusões aqui