Actualmente, as três formas de idolatria que mais danos podem causar e causam a todos os homens, de um modo geral, e também aos cristãos de um modo particular, são precisamente: a riqueza, o poder e o prestígio. Inseridos num mundo onde, de facto, o ter e o ter sempre mais domina as nossas sociedades, os cristãos são, pois, ou podem ser arrastados nessa onda de desejar sempre mais riquezas, mais bens… A cada passo, somos informados, pelos vários meios de comunicação social, dos muitos atropelos à honestidade no exercício desta ou daquela função nos diferentes organismos da administração pública. Casos e mais casos de corrupção a contribuir para o enriquecimento de muitos, que são cada vez em maior número. Aí os vemos a comprar andares de alto luxo, nesta ou naquela praia, atingindo, por vezes esses andares valores superiores a 1.600.000 euros. O dinheiro continua a acumular-se nos bolsos só de alguns e a crise em que nos afundamos é suportada pelos mais pobres, pelos mais carenciados enquanto que os ricos, que são cada vez mais ricos, se safam, passe a expressão, usando mil estratagemas e malabarismos para ludibriar o fisco. E a idolatria da riqueza gera, por assim dizer, a idolatria do poder. O poder foi sempre e continua a ser para muitos, o ídolo mais apetecido, pois, por ele e com ele, destroem-se os opositores e alcançam-se os mais diversos benefícios de toda a ordem. A sedução do poder e a sua posse leva, muitas vezes, os seus detentores a cometerem as maiores injustiças e barbaridades, pois, para os poderosos os fins justificam os meios. Quanto ao ídolo do prestígio, deriva, digamos assim, tanto da riqueza como do poder. Em síntese: a riqueza, o poder e o prestígio são, pois, as novas idolatrias que Bento XVI apontou como os novos ídolos do nosso tempo. Assim, na medida em que não nos deixarmos escravizar pela riqueza, pelo poder e pelo prestígio, nessa mesma medida seremos cristãos sérios e determinados.