Em declarações à FOLHA DO DOMINGO, o padre Carlos de Aquino, coordenador do Departamento Diocesano de Pastoral Litúrgica (DDPL), referiu que a iniciativa procurou "responder a um dos apelos do Programa Pastoral dio-cesano, que previa a formação de animadores e agentes para que futuramente possam, em pequenos núcleos e grupos, aprofundar a Bíblia". "Procurámos aprofundar algumas temáticas que se prendem com o exercício deste ministério e com a própria importância da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja", acrescentou o padre Carlos de Aquino, garantindo que foi sentida a necessidade de haver formação a este respeito. Por isso, "julgou-se importante, num outro encontro a realizar na época da Quaresma ou Páscoa, – a que são chamados todos aqueles que irão exercer esse ministério na ausência do presbítero – para aprofundamento de tudo aquilo que se relaciona com esse ministério e com a própria Palavra de Deus", complementou.. A proposta foi sugerida pelo próprio DDPL e ecoada nos próprios desafios pastorais apresentados pelo Bispo do Algarve no final das jornadas aos mais de cem participantes. D. Manuel Quintas desafiou à criação de grupos bíblicos e fez um apelo à "docilidade do Espírito Santo" e à abertura à sua acção para que a Palavra seja "bem acolhida", através da formação das consciências e de um maior acolhimento de coração. O Bispo diocesano exortou os participantes a que, numa linha de conversão pessoal, deixem que a Palavra os converta. O Prelado desafiou ainda os presentes para que entendam a Palavra não só enquanto proclamada num contexto de uma celebração. "Não se trata de ler uma leitura, mas de aprofundar a presença viva de alguém e o mistério dessa pessoa na nossa vida. E quem o exerce deve, não só ter a sua consciência formada, mas ter também presentes os desafios desse próprio ministério e da própria dimensão da Palavra", referiu. Uma das preocupações nestas jornadas foi "preparar as pessoas para as celebrações na ausência do presbítero, bem como dar uma atenção maior à presença da Sagrada Escritura nos diferentes grupos e actividades da Igreja, redescobrindo com outra profundidade e entusiasmo a dimensão da Palavra", referiu o padre Carlos de Aquino, acrescentando que "era preciso que, quando a Palavra é proclamada, acontecesse sempre num contexto celebrativo e sempre diante do esquema proposto pela Igreja – a Lectio Divina, – procurando que a Palavra seja entendida para melhor ser acolhida, de forma a desafiar-nos para a vida e para a missão", concluiu aquele responsável.