O padre Mário de Sousa, reitor do Seminário de São José, em Faro, que presidiu à celebração, fez questão de deixar claro, logo no início o objectivo que fez a todos para ali convergir. “Viemos aqui, nesta noite, para rezar de modo particular pelo Flávio Martins, pelo Pedro Manuel e pelo Miguel Neto”, começou por afirmar o sacerdote. Dirigindo-se directamente aos dois diáconos e ao seminarista algarvios que também estiveram presentes, manifestou-lhes o regozijo da Igreja algarvia. “O vosso medo e nervosismo é completamente proporcional à nossa alegria”, disse, explicando de seguida o motivo da acção de graças. “Nesta noite queremos dar graças a Deus porque apesar dos vossos medos e sentimento de incapacidade, de vos achardes indignos, confiastes muito mais no amor que o Senhor vos tem, agarraste-vos muito mais ao amor pela vossa Igreja, do que aos medos e às dificuldades”, observou o reitor. “Os critérios de Deus são muito diferentes dos nossos. E quantas vezes sentistes que era melhor ter batido à porta do vizinho que tinha mais qualidades, melhor maneira de falar e poderia fazer um trabalho muito melhor”, complementou, justificando que “Deus não tem critérios de empresário, mas critérios de amor, de carinho e de preocupação com o seu povo que precisa de quem o guie”. “Não interessa se sois jovens, se ainda sentis alguma dificuldade. Jeremias também”, constatou. O padre Mário de Sousa considerou então os três jovens “uma bênção” para a Igreja do Algarve. “Em nome de todos os que aqui estão e daqueles que não puderam vir, quero dizer-vos o nosso muito obrigado. Obrigado por confiardes em Deus. Obrigado amardes a Igreja diocesana. Obrigado porque apesar de todos os medos, de todas as dificuldades e todos os obstáculos, continuastes a confiar n’Aquele que nunca nos falta e jamais nos falha”, agredeceu. Lembrando que “a vocação não é uma questão de qualidades” ou “de capacidades humanas”, mas “uma questão de amor”, defendeu que “só quem ama e faz a experiência do amor que Deus lhe tem é capaz de sentir necessidade de lhe responder e corresponder com um bocadinho do mesmo amor, da mesma amizade e do mesmo carinho”. “Só quem ama verdadeiramente a sua Igreja é capaz de não ficar insensível perante as necessidades de tantas comunidades que já não têm um Moisés, um Jeremias ou um Isaías, que em nome do Senhor, lhes transporte a palavra que liberta dos faraós desta vida, que purifique os lábios impuros e que seja verdadeiramente luz e candeia para os nossos passos”, complementou. Dirigindo-se de novo directamente aos três jovens reforçou o agradecimento. “Obrigado por confiardes muito mais em Deus do que em vós. Obrigado por perceberdes, como São Paulo, que sois «vasos de barro» que em qualquer momento se partirão, mas «vasos de barro» nos quais o Senhor quer transportar os «tesouros» incomensuráveis do seu amor, bondade e misericórdia”, salientou. Lembrando o compromisso que assumirão no domingo com a Igreja diocesana, o padre Mário de Sousa explicou que o comprometimento é de recíproco. “Convosco também nos comprometemos a rezarmos por vós e a entregarmos sobre vós os dons do Espírito, para que a vossa vida seja sempre, para cada um de nós e para a nossa Igreja do Algarve, uma bênção e um sinal do amor que Deus por todos tem. Não tenhais medo porque Ele continua a dizer: «Eu estarei convosco»”, concluiu. No decorrer da celebração, os futuros sacerdotes e o futuro diácono realizaram a sua profissão de fé, renovando a fé que receberam no dia do Baptismo e que se comprometeram no dia do Crisma, e fizeram o juramento de fidelidade a essa fé, ao Bispo diocesano e ao Papa. No dia seguinte, sábado, a Vigília de Oração repetiu-se em Tavira, com a participação dos fiéis do Sotavento. Mais fotos na Galeria de Imagens