As instituições nestes ministérios são passos para a futura ordenação presbiteral, uma vez que constituem pressupostos para ela. O instituído reforça ao longo destas etapas a intenção de orientar a sua vida, o caminho de formação espiritual para a ordenação sacerdotal, respondendo ao apelo de Deus. Instituído acólito, Pedro Manuel completará a segunda etapa, que precede a terceira e última, – o diaconado -, antes da ordenação sacerdotal. Aos muitos membros da paróquia onde estagia o jovem seminarista, juntaram-se ainda muitas pessoas oriundas de vários pontos da diocese algarvia, particularmente de Monchique, de onde é natural Pedro Manuel. Perante uma assembleia que encheu por completo a igreja paroquial de São Bartolomeu de Messines, D. Manuel Quintas, que presidiu à celebração eucarística, começou por congratular-se com uma Semana Missionária que ‘transformou’ a comunidade anfitriã no Seminário diocesano durante 8 dias. O Bispo do Algarve agradeceu o acolhimento, que ele próprio pôde testemunhar, proporcionado pela paróquia ao grupo dos 17 seminaristas algarvios. “Certamente que isso vai ajudá-los a terem mais força para responderem aos apelos de Deus e a ultrapassarem as dificuldades na respostas a esses apelos e a vós a estimular-vos a prosseguirdes na oração pelas vocações e na adoração eucarística”, frisou D. Manuel Quintas, lembrando que “Jesus, o dom por excelência de Deus, dar-nos-á também servidores da Igreja e da Eucaristia”. A intervenção do Bispo diocesano foi particularmente incisiva no apelo à união da diocese algarvia para que se mantenha perseverante na oração ao Senhor da messe para que mande trabalhadores para a sua Igreja, vocações de consagração, rapazes e raparigas que não tenham medo do apelo de Cristo e lhe correspondam com generosidade e alegria. Aos presentes, e particularmente ao ainda candidato a acólito, o Bispo diocesano lembrou que “o ministério dos acólitos tem uma especificidade que é o serviço do altar, ou seja o serviço à Eucaristia”. “Se o ministério dos leitores se orienta para a escuta e proclamação da Palavra, o ministério dos acólitos orienta-se para o serviço do altar e da Eucaristia”, esclareceu o Prelado, acrescentando que “a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia são essenciais na vida daqueles que o Senhor chama a um sacramento ordenado”. “E é fundamental, caro Pedro, que ao serdes instituído neste ministério, daqui para a frente, acentues ainda mais na tua vida o cultivo de uma espiritualidade eucarística. É fundamental que esta imagem de Abraão que acolhe Deus que passa (mesmo sem saber quem era) e essa imagem de Maria sentada aos pés de Jesus que escuta a palavra do mestre, possam inspirar muitos momentos de escuta diante da Eucaristia, para que a presença de Jesus na Eucaristia possa, verdadeiramente marcar e qualificar a tua vida e toda a tua existência”, interpelou D. Manuel Quintas, desejando que a vida do seminarista, um dia ordenado sacerdote, seja “uma vida eucarística, uma vida que se oferece com Cristo ao Pai, uma vida que torna presente e actuante Jesus que se dá aos outros, um vida feita de serviços e de dom à sua Igreja”. Procurando igualmente interpelar a assembleia, o Bispo diocesano exortou todos a “aprender e crescer nesta espiritualidade eucarística, porque só uma Igreja apaixonada pela Eucaristia, que vive da Eucaristia e para a Eucaristia será geradora de vocações de consagração: sacerdotais, religiosas e missionárias”. “Gostaria que esta Eucaristia fosse acima de tudo um apelo para todos aqueles que, mais ou menos jovens, se sentem interpelados por Deus. Que não tenham medo de lhe responder porque Cristo dá muito mais do que pede, embora pareça que aquilo que pede é muito mais do que dá, porque nós, muitas vezes, só nos fixamos naquilo que deixamos e não naquilo que encontramos”, acrescentou o Bispo do Algarve, garantindo que “Cristo nunca pede nada que não dê a dobrar”. A terminar, D. Manuel Quintas deixou um apelo para que se reze em todas as comunidades da diocese para que cresça o “amor pela Eucaristia”, bem como a “oração diante do Santíssimo Sacramento”. O Bispo do Algarve considerou mesmo que “o Lausperene Diocesano é uma iniciativa que está a dar frutos” e por isso assegurou a intenção de incrementá-lo sempre mais para que as paróquias, a partir dessa oração, “se abram sempre mais à paixão pela Eucaristia”, “certos de que Jesus dará à Igreja algarvia aquilo de que precisa para que seja uma Igreja viva, fraterna e missionária”. A instituição no ministério de acólito foi simbolicamente assinalada com a entrega, por parte do presidente da celebração, ao novo acólito, do cálice, com a missão de servir dignamente o altar, a mesa de Deus e da Igreja. No final da Eucaristia, o padre Mário de Sousa, reitor do Seminário diocesano de São José, agradeceu “a forma carinhosa” como a paróquia de São Bartolomeu de Messines acolheu os seminaristas. “Foi uma graça quer para vós, quer para nós, porque para o Seminário foi uma oportunidade de saborear e de contemplar, não só o carinho e a oração que os cristãos do Algarve têm por aquela casa que é o coração da diocese, mas também por vós que pudestes contemplar rostos concretos pelos quais tendes rezado ao longo dos últimos tempos”, afirmou, desejando que a oração dos paroquianos de Messines “seja, para cada um dos 17 jovens que não tiveram medo de dizer: ‘apesar Senhor das minhas dificuldades e do meu pecado, se me chamas aqui estou’, a força para a caminhada e a coragem para prosseguir no dia-a-dia da vida”. Também o pároco local, o padre Augusto de Brito, manifestou a sua alegria por aqueles acontecimentos terem ocorrido na sua paróquia. “Vimos rezando há alguns anos por vocações e todas as quintas-feiras à noite temos a oração ao Santíssimo Sacramento por essa intenção concreta, mas havia como que uma secura e desta vez o Senhor quis dar-nos este mimo”, referiu o sacerdote, agradecendo ao Seminário por se ter lembrado de ir fazer as suas férias missionárias naquela comunidade. A propósito do trabalho realizado pelos seminaristas algarvios nos 8 dias que passaram na sua comunidade, o padre Augusto de Brito salientou a sua importância. “Já há muito tempo que sinto que há inquietações de jovens nesta paróquia, mas a imagem negativa que passa ainda hoje tem sido mais forte. Imagem negativa que esta semana foi possível dissipar. Afinal todos nós percebemos que estes 17 jovens são iguais aos nossos e a todos os jovens, só que aceitaram o desafio de experimentar e de nos mostrar como são felizes a viver a fé e que não têm vergonha de, em qualquer lugar, manifestar o seu amor a Jesus Cristo”, concluiu. Após a celebração, participada por um numeroso grupo de sacerdotes da diocese algarvia e até alguns presbíteros de fora, por quatro dos cinco diáconos algarvios e por um outro de Beja e pelos restantes seminaristas algarvios, decorreu um jantar-convívio para todos os presentes no salão dos Bombeiros Voluntários de São Bartolomeu de Messines, cedido para esse fim.