D. Manuel Quintas regozijou-se com a recuperação do edifício. “Quero congratular-me com todos aqueles que, unindo esforços, tornaram possível esta realidade. A cidade de Portimão está mais rica com este espaço”, constatou, lembrando que também “a comunidade cristã tem mais um lugar de encontro para crescimento na fé”. Sublinhando a finalidade daquele espaço servir não apenas para o culto, mas também para a cultura, o presidente da celebração frisou a importância desta na evangelização. “É importante servirmo-nos da cultura para alimentar a fé”, recordou o Bispo do Algarve que logo após a oração dos fiéis procedeu à bênção e incensação do altar. O custo dos trabalhos de restauro da igreja do Colégio da Companhia de Jesus ascendem a cerca de 620 mil euros, sendo que numa primeira fase, subvencionada através do PROAlgarve em 70 por cento, incidiram sobre a recuperação da fachada e, numa segunda fase, comparticipada através do POC – Programa Ocupacional da Cultura em 62 por cento, visaram a o arranjo do corpo central do edifício ao nível de rebocos, cantarias, pavimentos, imaginária, talhas e pinturas murais, assim como a valorização e criação de condições técnicas e estéticas no interior da igreja que permitem agora a realização de eventos culturais. O restante valor foi suportado pela Câmara de Portimão. Também os terraços adjacentes à cobertura da nave central foram impermeabilizados e na sacristia procedeu-se, por exemplo, à remodelação da rede eléctrica e de telecomunicações e à dispositivos contra intrusão. À FOLHA DO DOMINGO, o presidente da Câmara de Portimão, que esteve presente na celebração, assim como a vice-presidente da autarquia e a presidente da Junta de Freguesia de Portimão, alegrou-se com a obra. “A cidade fica com um monumento recuperado”, constatou Manuel da Luz, explicando existir um acordo estabelecido com a paróquia da Matriz que possibilita a utilização da igreja para o culto, de acordo com o horário estabelecido, e para actividades culturais, noutras partes do dia. Concertos com pequenos grupos corais ou orquestras de câmara são algumas iniciativas culturais que o autarca entende poderem ali realizar-se. Manuel da Luz adianta ainda que gostaria que a restaurada igreja acolhesse uma evocação do padre António Vieira, contemporâneo da sua construção, neste ano em que se comemora os 400 anos do nascimento do sacerdote jesuíta. O presidente da Câmara de Portimão refere igualmente que, para a recuperação da igreja do Colégio da Companhia de Jesus ficar concluída, falta ainda o restauro do órgão de tubos da igreja, assim como de uns painéis a óleo que estão à guarda de Santa Casa da Misericórdia. O pároco da Matriz de Portimão, cónego José Pedro Martins, informou que a Eucaristia dominical das 8.30h, em Julho e Agosto, e das 9 horas, nos restantes meses, daquela comunidade passará agora a ser celebrada naquela igreja. Construída pelo fidalgo Diogo Gonçalves, que faleceu em 1664 antes de assistir à sua conclusão em 1707, a igreja do Colégio da Companhia de Jesus, cujo patrono é São Francisco Xavier, está situada na Alameda Nuno Mergulhão, em pleno centro da cidade de Portimão. Caracteriza-se pela nave única de estilo arquitectónico típico dos colégios jesuítas. Coberta por abóbada de berço, apresenta cabeceira tripla e seis capelas laterais encimadas por tribunas. Na fachada, parcialmente reconstruída após o terramoto de 1755, vêem-se seis janelões e um frontão com contracurva com óculo ao centro. No interior, não passam despercebidos os retábulos barrocos da capela-mor e das capelas laterais, assim como as imagens de São Camilo de Lélis e de Santo António (século XVIII). De referir o ostensório com o Sagrado Coração de Jesus, uma imagem de Jesus crucificado colocada na capela-mor e ainda o mausoléu de Diogo Gonçalves. A igreja chegou a ser escolhida pelo Marquês de Pombal para fixar uma nova Sé algarvia, na sua conhecida intenção de criação de duas dioceses no Algarve, projecto que não se concretizou. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens