O padre Ioan Gherbovetchi, da Igreja Ortodoxa Romena, defendeu que a presente crise mundial “é um resultado da sede material das sociedade ocidentais”. O sacerdote lembrou que “o número de pobres que não têm nada está permanentemente a crescer” e considerou que o trabalho com estes “deve ser a prioridade da Igreja”. “Nesta sociedade secularizada tudo é material e não existe Deus”, lamentou, acrescentando que “chegou o tempo da acção verdadeira da Igreja”. E advertiu com ironia que “se a sociedade esquecer Deus, o mundo ruirá porque os ricos não vão sobreviver sem os pobres que trabalhem para eles”. Concordando com o padre Ioan Gherbovetchi, o padre Joaquim Nunes, citando Santo Agostinho a propósito da tomada de Roma pelos bárbaros, anteviu que “isto não é o fim do mundo. É tão somente o fim de um mundo”. “Acho que esta é perspectiva cristã que nos pode levar a acolher o desafio que é o futuro e que tem a ver com a missão da Igreja. O que a Igreja tem a fazer centra-se em duas palavras: anúncio – que não pode ser apenas feito de palavras, mas de acções – e a missão”, complementou o representante da Igreja Católica. Apontando como modelo a realidade evangélica, o padre Ioan Gherbovetchi exortou a que ortodoxos e católicos aprendam com baptistas. “Se alguém chega à Igreja baptista com um problema, todos tentam ajudá-lo como podem. Na nossa Igreja, muitos chorarão com a pessoa, mas não sei quantos vão realmente ajudá-la. Sabemos falar, mas esquecemos de fazer”, criticou o sacerdote ortodoxo, apelando à coerência entre a fé e a vida. Também o pastor Mário Ribeiro, da Igreja Evangélica Baptista, salientou a importância do ecumenismo na sociedade actual, “desde que resulte da consciência de que a Igreja tem uma mensagem importante para o mundo que implica a denuncia das injustiças sociais entre outras coisas”. A propósito, o padre Gherbovetchi recordou que “as primeiras obras sociais como escolas, asilos e orfanatos foram obra da Igreja” e o padre Joaquim Nunes evidenciou que “se as obras sociais assistidas pela Igreja fechassem, o sistema de segurança social português desabava”.