“Estamos aqui, embora de diferentes linguagens, mas de credo único, todos buscamos Deus. Todos queremos transformar a nossa vida por essa presença amorosa. Sentimos que somos irmãos”, frisou o padre Carlos de Aquino na introdução à celebração que contou com a presença de D. Manuel Quintas, Bispo católico do Algarve, de D. Dionísio Lachovicz, Bispo da Igreja Católica de Rito Bizantino (greco-católica), do padre Oleg Trhusko, sacerdote da mesma Igreja, do pastor Mickael Grantham, representante da Igreja Anglicana, e do padre Ioan Rîşnoveanu, da Igreja Ortodoxa Romena. A celebração de abertura do ano paulino ficou marcada pelo apelo à unidade de todas as Igrejas cristãs. O padre Ioan Rîşnoveanu lembrou que é o mesmo Cristo que une as Igrejas irmãs. “Temos a mesma fé, os mesmos sonhos e somos todos irmãos em Cristo. Devemos mostrar ao mundo que somos unidos. Cristo está connosco e com Cristo vamos continuar a peregrinar ao encontro da luz, da esperança e do amor”, afirmou o sacerdote ortodoxo romeno. O pastor Mickael Grantham congratulou-se com a iniciativa de celebração dos 2000 anos do nascimento de São Paulo. O pastor anglicano lembrou o trabalho conjunto entre as Igrejas católica e anglicana e a cooperação existente, por exemplo, na cedência das igrejas para o culto. O Bispo greco-católico D. Dionísio Lachovicz lembrou o caminho trilhado e o esforço para união das Igrejas, agradecendo à Igreja Católica Portuguesa pelo acolhimento aos representantes da Igreja Católica de rito bizantino. “Somos chamados a reconciliarmo-nos, a perdoarmo-nos e a unificarmo-nos”, destacou. D. Manuel Quintas começou por lembrar a passagem bíblica da “reconciliação operada por Cristo, que pela doação de Paulo uniu judeus e pagãos”. “A proclamação deste texto recorda-nos que somos chamados a assumir a unidade e a paz, o que pressupõe o nosso empenho em eliminar todos os preconceitos e muros que separam os homens entre si. Queremos acolher hoje também nós este apelo de Paulo”, afirmou o Bispo católico do Algarve, exortando ao compromisso com a edificação e testemunho da unidade. “A nossa divisão em diferentes Igrejas contradiz abertamente a vontade de Cristo, é um contra-testemunho para o mundo e prejudica a causa da pregação a toda a criatura”, afirmou, citando o decreto sobre o ecumenismo saído do Concílio Vaticano II. “Quanto mais unidos a Cristo estivermos mais próximos uns dos outros estamos; quanto mais identificados com Ele na sua doação e entrega ao anúncio do reino, mais transparecerá em nós a santidade de Cristo que nos ajudará a superar as nossas fragilidades e limitações e a apressar o passo rumo à unidade de uma só Igreja”, considerou D. Manuel Quintas, lembrando que “Paulo ensina o quanto é fundamental cultivar e manter a unidade do espírito mediante o vinculo da paz”. “Deixemo-nos alcançar por Cristo como Paulo. Deixemos, tal como Paulo, que seja o amor de Cristo a impelir-nos no anuncio do Evangelho como fonte permanente de audácia apostólica e renovada criatividade pastoral”, exortou. A celebração ficaria marcada por alguns elementos simbólicos como a entronização da luz e da Palavra. Igualmente significativos foram alguns momentos de oração vividos pelos representantes de cada Igreja no decurso da celebração, como as orações de confissão de fé e do credo junto à cruz ou o gesto da paz de mãos dadas no final.