Trazido da paróquia de Giões, por dois membros da Fraternidade da Mãe de Deus que colabora com o pároco daquela comunidade nas paróquias que lhe estão entregues, o andor com a imagem oriunda do Santuário de Fátima chegou num cortejo antecedido por algumas motos e bicicletas conduzidas pelos jovens e adolescentes da aldeia de Vaqueiros que aguardavam à entrada da freguesia. Descido do tejadilho do carro particular em que foi transportado, o andor foi colocado diante de todos para a sua primeira recepção. Debaixo de um calor intenso que se fez sentir logo pela manhã na serra do Nordeste algarvio, o padre Flávio Martins classificou aquele momento como “único, certamente extraordinário, de grande alegria e louvor”. No entanto, o prior deixou alguns alertas. “O gesto de acolher Maria só terá sentido se acolhermos a sua mensagem no nosso coração, na nossa vida, se quisermos e estivermos dispostos a acolher a mensagem de salvação que Jesus Cristo nos dá através da sua Mãe”, advertiu, procurando esclarecer que a mensagem trazida por Nossa Senhora é a mensagem “da conversão, do amor, da bondade, da misericórdia e do perdão de Deus”. “Maria não nos pede mais nada senão que deixemos que Deus nos fale e nos toque com a graça do seu amor e do Espírito Santo”, sintetizou. Procurando ser ainda mais explícito, o sacerdote evidenciou que “ser cristão não é andar a trás de Maria como se Ela fosse uma deusa” ou “fizesse muitos milagres”. “Ser cristão é andar a trás de Maria porque Ela é a primeira discípula que nos aponta o caminho do seu Filho”, clarificou, sublinhando que “por Maria chegamos ao Filho”. Já depois da breve procissão que percorreu até a igreja as poucas ruas da pequena aldeia com o andor carregado pelos seus apicultores, caçadores e jovens, o padre Flávio Martins sublinhou o significado do Dia de Pentecostes que a Igreja celebrava naquele domingo. Na homilia da Eucaristia que se seguiu lembrou que os apóstolos estavam reunidos com Maria no cenáculo e desceu sobre eles as línguas de fogo. “Curioso, Deus permitiu que hoje, Domingo de Pentecostes, Nossa Senhora se reunisse de novo com aqueles que se dizem discípulos de Jesus para também recebermos o Espírito Santo. Esta é a maior graça que podemos receber já da presença de Maria no meio de nós”, considerou. Apontando a visita de Maria como um “momento único” na vida daqueles cristãos, evidenciou o facto de muitos não irem já experimentar aquele encontro senão no céu e apelou a todos para que se abram ao “dom do Espírito Santo” e que não tenham vergonha de ser cristãos. “Será que tem sentido celebrarmos o Pentecostes e acolhermos Maria, se amanhã tudo estiver na mesma? Não poderá fazer sentido”, concluiu. A imagem mariana continuará a sua visita à paróquia de Vaqueiros até à próxima quarta-feira, dia 10 de Junho. Mais fotos na Galeria de Imagens