Antecedido por um grupo de cavaleiros que o recebeu à entrada da freguesia, cerca das 17.20 horas, chegava da paróquia de Martim Longo, o jipe branco da Associação de Jovens do Nordeste Algarvio – Inter-Vivos, amplamente decorado, transportando o andor de Nossa Senhora e o pároco de ambas as comunidades paroquiais, o padre Flávio Martins. Em torno do palco montado para o acolhimento da imagem mariana, junto à Estrada Nacional 124, já um numeroso grupo de pessoas e a Banda Musical de Tavira aguardavam a sua chegada. Após o momento de acolhimento, que foi também participado por um grupo de paroquianos da matriz de Portimão (acompanhados pelo pároco) que se encontrava de visita às comunidades do Nordeste algarvio por ocasião do seu passeio-convívio anual, seguiu-se a procissão pelas principais ruas da aldeia até à igreja paroquial. Já no interior da igreja, o padre Flávio Martins sublinhou o significado daquele acontecimento. “O Evangelho que acabámos de escutar cumpre-se hoje de uma forma muito particular na nossa comunidade paroquial. Somos neste momento aquela Isabel outrora visitada por sua prima, Maria. Como Isabel também o nosso interior e o nosso coração exulta de alegria”, comparou o sacerdote, lembrando a interrogação da visitada: “de onde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor?”. “Esta mesma questão podemo-la colocar nós. Merecemos nós visita tão importante? Porque é que a Mãe de Jesus nos vem visitar? Por uma só razão: o amor de Deus. Deus ama-nos e é essa a razão porque estamos aqui hoje e recebemos a visita de Maria”. acrescentou. Mais adiante concretizaria o objectivo da visita mariana. “Deus não nos consultou na hora em que nos criou, mas não nos salvará sem que colaboremos na nossa salvação”, referiu, servindo-se de um pensamento de Santo Agostinho: “O que te criou sem ti não te salvará sem ti”. “É esta a mensagem que Maria traz à nossa comunidade paroquial”, confirmou o padre Flávio Martins, explicando que “Deus continua a estender por todas as gerações a sua benignidade e a sua misericórdia”. “O que anunciou na Cova da Iria em 1917 a três inocentes pastorinhos, é o mesmo que nos diz hoje. Deus ama todos os homens porque é rico em misericórdia. Por isso estamos reunidos para o celebrar e para o louvar”, justificou. O pároco explicou ainda que a visita da imagem da Cova da Iria tem igualmente um outro significado. “Maria foi a primeira a acreditar na Palavra de Deus e foi feliz. A sua presença evocada na imagem peregrina é para nós um apelo à felicidade, cumprindo tudo sem hesitar o que é vindo da parte do Senhor. Maria quer ajudar-nos a alcançar a felicidade no seu Filho, fazendo da vontade de Deus a nossa própria vontade”, frisou. Aos paroquianos de Cachopo pediu ainda que entrem “na escola de Maria para aprender a confiar em Deus”. “Não recusemos esta visita de Maria aos nossos sentimentos individuais e egoístas. Não reduzamos esta visita a petições vazias e sem sentido da nossa parte, pois Deus sabe melhor do que nós do que necessitamos. Não foi para isso que Maria veio”, advertiu o sacerdote. Continuando, pediu aos fiéis que façam silenciar o seu coração “para escutar Deus” e apelou à purificação das intenções. “Maria conduz-nos à fé em Jesus Cristo e intercede por nós junto do Filho. Não podemos rezar e acompanhar Maria se não acreditamos nem confiamos em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Só seremos amigos de Maria se acreditarmos e fizermos tudo o que Jesus nos pede. Por isso, hoje como outrora Maria sigamos a mesma palavra: «Fazei tudo o que Ele vos disser»”, exortou o padre Flávio Martins. A imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima irá manter-se em Cachopo até dia 4 de Julho. Mais fotos na Galeria de Imagens