Cavaleiros, cavalos e carros de tracção animal escoltaram, desde a fronteira entre as duas freguesias, pela EN1242, a imagem da Virgem de Fátima que cruzou a EN125 até ao centro de Cacela, onde a aguardavam já muitas centenas de pessoas juntamente com o pároco local, o padre Leandro Garcês. O sacerdote, juntamente com o presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes, recebeu a imagem no início da rua das Laranjeiras, tendo o cortejo litúrgico seguido, com o andor carregado em ombros, até ao largo onde teve lugar o acolhimento. Depois de uma volta completa ao largo, o andor subiu ao palco, onde já o aguardava o pároco e o padre José Gil, também sacerdote dehoniano e prior da paróquia do Forte da Casa (Vila Franca de Xira), convidado pelo padre Leandro Garcês para presidir à celebração de acolhimento da visita mariana a Cacela. O pároco de Cacela, no início da celebração, afirmava o sentido daquela visita, explicitando o desejo da comunidade. “Aos pés de Maria queremos aprender a ter um coração de discípulos. Desejamos saber fazer de nossa vida expressão de verdadeira oração. Com Ela queremos aprender a fazer tudo aquilo que Ele – o seu Filho – nos diz”, disse. Esta ideia seria desenvolvida depois pelo presidente da celebração. O padre José Gil lembrou que Nossa Senhora vem “porque traz uma mensagem”. “É preciso fazer tudo aquilo que Ele (Cristo) disser”, salientou, retomando a conhecida expressão de Maria, no contexto das Bodas de Caná, que serve de lema ao presente biénio programático da Diocese do Algarve. Vincando o significativo papel de Maria na História da Salvação, o padre José Gil destacou que Nossa Senhora altera a situação criada pela Eva que se deixara levar pela tentação da serpente. Uma realidade simbolicamente invocada na mudança do nome para Avé. “As mesmas letras, mas ao contrário, porque em Maria a situação da história humana vira-se ao contrário. Ela esmaga o mal e o pecado para restabelecer a paz, para dar a felicidade e para trazer a salvação”, explicou o sacerdote, considerando “o ódio, a mentira, a vingança, a inveja e o egoísmo” como “o maior mal do mundo”, ou seja, “o pecado”. “É esse mal que Ela quer esmagar debaixo do seu pé, para nos apresentar um caminho diferente: da verdade, da justiça, do amor, da fraternidade e da solidariedade”, complementou. No final da celebração, antes da imagem seguir novamente de carro de mula para o sítio de Corte António Martins, o padre Leandro Garcês apelou à vivência da “dinâmica da humildade” e à unidade de todos os membros da paróquia de Cacela durante esta semana de visita. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens