Depois de ter chegado a Faro, no passado dia 27 de Setembro, a imagem da Cova da Iria despediu-se da capital algarvia e do Algarve antes de rumar no dia seguinte a Fátima inserida na Peregrinação Diocesana que a diocese algarvia promoveu para entrega da imagem ao Santuário mariano. Tendo começado na Sé Catedral de Faro, onde a imagem de Nossa Senhora permaneceu quase a tempo inteiro nas duas últimas semanas, a celebração teve continuidade com a procissão de velas até à igreja do Carmo, de onde, no dia da chegada, tinha iniciado o percurso inverso. As muitas pessoas que encheram a Catedral diocesana, e as muitas mais que se juntaram ao longo das ruas, participaram no cortejo litúrgico, presidido pelo novo pároco da Sé, o cónego José Pedro Martins, que se estendeu por algumas das principais ruas da baixa de Faro, com o andor a ser transportado por um jipe dos Bombeiros Voluntários de Faro, à semelhança do que já tinha acontecido no dia da sua chegada. Na chegada ao largo do Carmo, a imagem deteve-se diante da multidão que desta vez foi muito mais numerosa do que há 15 dias, no seu acolhimento. Ali, tendo a igreja da Ordem Terceira como pano de fundo, o pároco de São Luís, o padre António da Rocha, «emprestou» a sua voz à Virgem peregrina para um último apelo que deixou aos algarvios, numa espécie de carta de Nossa Senhora dirigida aos algarvios. “A imagem vai concluir a peregrinação, mas eu continuarei numa presença constante junto de todos quantos me desejarem ter como sua Mãe e companheira, primeira testemunha do meu Filho Jesus”, explicou, acrescentando alguns pedidos de Maria. Nossa Senhora «pediria» aos cristãos do Algarve que não deixem “de peregrinar para levar junto de todos o Evangelho” que lhes está confiado. Maria «apelou» ainda ao cumprimento dos “deveres de cidadania” e aos pais para que não deixem de educar os filhos na fé, conforme se comprometeram no dia do seu Baptismo. “Fico triste e não acho certo que se confunda casamento com desejo de união de facto que, de facto, não é união nenhuma, já que, por qualquer motivo, a união pode desfazer-se. Mas mais grave ainda é que se desfaça casamentos ao sabor dos caprichos de cada um. Pior ainda é resolver chamar-se casamento à junção de pessoas do mesmo sexo, reivindicando até o direito de adoptarem crianças como se fossem filhos”, «afirmou» também Nossa Senhora, que condenou igualmente os divórcios por conveniência, “só para fugir à satisfação de encargos sobre bens nem sempre honesta e justamente adquiridos”. Nossa Senhora «apelou» ao compromisso dos cristãos nas comunidades paroquiais. “Não deixeis que seja a meia dúzia de sempre a tomar conta de tudo, funcionando vós como consumidores ou assistentes. E muito menos que continueis, como fazem tantos, a fugir à verdade que chamam exigência, indo a outros lugares fazer celebrações sacramentais só porque tudo é mais fácil, deixando-se enganar por quem fez essas coisas indevidamente”, sublinhou-se. “Espero que tenhais entendido que as minhas peregrinações não são para vos voltar para mim, mas para Jesus. Ele é que é o caminho, a verdade e a vida. Eu sou uma mensageira d’Ele como cada um de vós deverá ser”, concluía a «missiva» de Nossa Senhora ao povo algarvio. A terminar, o cónego José Pedro Martins, destacou o objectivo que esteve presente ao longo do último biénio na realização da peregrinação mariana pelo Algarve. “Peregrinar, com Maria, ao encontro de Cristo” e, porque Ela “continua presente”: ‘Permanecer, com Maria, em Cristo’ é o caminho que espera e se abre diante dos cristãos algarvios para os próximos dois anos. “Que estes dois objectivos fiquem no nosso coração e que este último se concretize nas nossas comunidades”, pediu o pároco da Sé que é também o vigário episcopal para a pastoral da Diocese do Algarve. A celebração conclui-se com a consagração de Nossa Senhora à cidade de Faro realizada pelos párocos das três paróquias da cidade, seguindo-se o adeus particularmente emotivo do Algarve à imagem de Fátima. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens