A visita do Santo Padre à Turquia conheceu outros momentos importantes, como a celebração em Éfeso com a Comunidade Católica da Turquia ou a visita à Mesquita Azul onde o Papa se recolheu em oração ou meditação, como preferem dizer alguns, ao lado do Mufti da Mesquita. Mas, o que mais me impressionou foi o encontro com os Ortodoxos, especialmente a forma como o Papa foi recebido pelo Patriarca Ecuménico que o saudou com as palavras "Bendito o que vem em nome do Senhor" e o acolhimento fraterno que lhe foi dispensado por todos os Bispos Ortodoxos presentes, que o cumprimentaram como a um verdadeiro "irmão no (mesmo) episcopado" e ao mesmo tempo com a veneração de quem sabe qual o significado de estarem diante do sucessor de Pedro. Foi mesmo emocionante e uma imagem impressiva e muito significativa ver o Papa e o Patriarca de Constantinopla a caminharem sozinhos, lado a lado, como Pedro e André nas margens do mar da Galileia, e a abençoarem em conjunto a pequena multidão numa varanda da Catedral de Constantinopla e nessa circunstância, ver o habitualmente reservado e fleugmático Bento XVI, que não é dado a grandes gestos, como por exemplo o era o seu antecessor João Paulo II, a erguer energicamente o braço de Bartolomeu I como que a dizer que as palmas e as aclamações eram para ele. Já em Roma, o Santo Padre classificou esta visita como uma "inesquecível experiência", na expectativa de que ela contribua para aprofundar o diálogo ecuménico com os cristãos ortodoxos e o diálogo inter-religioso com os crentes muçulmanos, desejando expressamente que "surjam frutos de bem para uma cooperação cada vez mais sincera entre os discípulos de Cristo e para um diálogo fecundo com os crentes muçulmanos". Nesta sua deslocação, Bento XVI teve também em vista a paz no mundo, pois só assim se compreende que numa das suas primeiras intervenções públicas depois de chegar a Roma tenha declarado que "a paz é a meta à qual toda a humanidade aspira… a paz é um dos mais belos nomes de Deus, que deseja o entendimento entre todos os seus filhos, como tive a ocasião de recordar na minha peregrinação destes últimos dias à Turquia". Reconciliação entre irmãos separados, Ortodoxos e Evangélicos; Diálogo com crentes de outras religiões, particularmente das religiões "abraâmicas", Hebreus e Muçulmanos; Eis o caminho que nos conduzirá à paz, respeitando as diferenças e as identidades de cada um, mas olhando e analisando as grandes questões da actualidade "à luz de Abraão, o grande patriarca de todos os crentes".