Quando chegou ao Algarve, há seis anos, a irmã Maria José Sousa teve momentos em que achou “que não era feita para esta diocese”. No entanto, hoje, confessa que “estaria cá mais 2 ou 3 anos”. Sobretudo “para implementar certos projectos que ficaram por cumprir”, como um cd com canções e gestos para crianças, uma peregrinação para catequistas à comunidade ecuménica de Taizé e para cumprir uma passagem por todas as paróquias algarvias, sobretudo as do interior. “Ter vindo para cá foi uma volta de 360 graus, mas fez-me desprender das minhas seguranças”, considera. “Não que a diocese estivesse atrasada na catequese da infância e adolescência, mas notei que havia falta de trabalho de equipa. Não digo que agora esteja melhor, mas há, pelo menos, equipas que colocam os seus membros a pensar em conjunto”, complementa. Em jeito de balanço, a irmã Maria José considera que “começa a haver uma maior sensibilidade, nalgumas paróquias, para fomentar a vocação de catequista, sem que seja necessário um pedido pelo pároco”. “Há catequistas novos que saíram para estudar, mas voltam com mais dedicação, firmeza e fé”, constata a religiosa, acrescentando que também “a catequese começa a ser um pouco mais dinamizada”. “As pessoas começam a perceber que a dinâmica na catequese está a par da pedagogia, da doutrina e da vivência da fé”, justifica. Outro dos aspectos positivos que marcam, no entender da responsável do Sector da Catequese da Infância e Adolescência, o trabalho dos últimos anos foi a realização de três cursos gerais, em três anos. “Os catequistas começam a perceber que a formação catequética não se pode cingir a um curso de iniciação”, afirma, convicta de que “há uma aposta maior na formação”. No entanto, há sempre aspectos que se podem melhorar e a irmã Maria José Sousa também mostra tê-los bem presentes. E uma das mágoas que leva prende-se com os retiros diocesanos de catequistas. “De facto fazer um retiro com mais de 20 pessoas torna-se um pouco difícil, mas, de qualquer forma, havia de haver uma representatividade das paróquias todas. E isso nunca aconteceu”, lembra a irmã, salientando que “a oração tem de estar a par da formação”. Por outro lado, analisa a irmã Maria José, “ainda nem todas as paróquias tomaram consciência de quanto é fundamental a catequese, desde a infância e adolescência e por aí em diante”. “Há uma falta grande de acompanhamento na transição do 10º ano para o Crisma e o seguimento com a Pastoral Juvenil”, considera aquela responsável, garantindo que “a maior parte dos catequistas tem ‘medo’ de trabalhar com adolescentes”. “Os catequistas para trabalharem com adolescentes têm de ser preparados de outra forma e tem de haver um maior critério na escolha”, defende a irmã, considerando que “começa a haver algum critério na escolha dos catequistas, mas não tanto como o necessário”. A religiosa entende ainda que “há cursos que era necessário que os párocos também os frequentassem, pois as pessoas, por vezes, tentam levar algo de novo para as paróquias, mas não são bem recebidas”. “Outras vezes também tentam fazer mais do que podem e devem”, reconhece igualmente. De partida para uma nova realidade, mostra-se agradecida à diocese e “sobretudo a quem trabalhou mais de perto” consigo, equipa restrita e equipas vicariais, e garante ir “disponível”, como quando rumou ao Algarve. “Vou confiante em Deus, com o coração para dar tudo o que puder”, assegura. Na diocese do Alto Alentejo, a irmã Maria José irá trabalhar sobretudo na organização do sector pastoral a que se tem dedicado desde sempre, ao nível da constituição de equipas. A substituta da irmã Maria José, no Algarve, será a irmã Maria Arminda Faustino, também da congregação das Missionárias Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus. Curso Geral de Catequistas para a vigararia de Loulé/ S. Brás, o último de 3 realizados em 3 anos O último dos três cursos gerais de catequistas realizados nos últimos três anos na diocese do Algarve foi promovido para os catequistas da vigararia de Loulé/São Brás de Alportel. Participaram cerca de 30 catequistas, muitos de Santa Bárbara de Nexe, Loulé e Almancil e foi realizado por módulos temáticos. “Começámos pelos módulos doutrinais e continuámos com os módulos pedagógicos e os psicológicos”, explicou a irmã Maria José, considerando que o estágio, a fase complementar do curso, “obriga a muito acompanhamento”. “Isso implicava termos catequistas formadores”, esclarece a religiosa, considerando, mesmo assim, ter sido positivo a realização dos 5 estágios na diocese ainda completados. “Penso que foi uma graça para a diocese”, conclui.