No primeiro dia das Jornadas Paulinas, a conferencista destacou que “São Paulo compreendeu bem que somente em Cristo a humanidade pode encontrar redenção e a esperança, por isso sentia imperioso e urgente a missão de anunciar a promessa de vida em Jesus Cristo”. “Hoje, a Igreja repete a cada um de nós: «Ai de mim, se não evangelizar»”, enfatizou a religiosa com base numa conhecida exclamação paulina. Recordando São Paulo, a irmã Miriam Rotta lembra que “anunciar o Evangelho não é um título de glória, mas uma tarefa e uma alegria para cada cristão”, tendo como espaço de realização o mundo. “Deus não é evidente e por isso é que há tantos ateus. Deus revela-se a toda a gente, mas muitos não querem ver, nem ouvir. A fé é dada a toda a humanidade, mas exige resposta pessoal e livre. A fé é a linguagem para falar com Deus e a Igreja deve ser a facilidadora do encontro entre Deus e o homem”, complementou a conferencista, garantindo que “o essencial na evangelização é estar convencido que a obra é de Deus”. A religiosa, lembrou que Paulo pertencia a uma família judaica “com uma fé muito vigorosa”, sendo “rabino, fariseu convicto, coerente com a sua identidade, para obedecer ao seu desejo profundo de fazer a vontade de Deus, empenha-se em destruir a Igreja de Cristo”. No entanto, “depois do encontro com Cristo, Paulo, profundamente confuso, põe-se a caminho à procura de si mesmo e da sua identidade”, afirmou, garantindo que “é a partir da conversão que Paulo percebe claramente a vocação de levar o anúncio do Evangelho para fora do âmbito palestino”. “No caminho de Damasco não nasceu só o cristão, mas também e, sobretudo, o maior apóstolo de todos os tempos. A sua natureza imensamente rica, o seu amor apaixonado por Deus, o seu amplo conhecimento da Bíblia, a sua viva experiência do mundo pagão, a sua brilhante inteligência, a sua vontade de «aço» e a sua coragem destemida tornaram-no no instrumento escolhido, o mais adequado que a providência tivesse podido preparar para o grande lançamento do Cristianismo no mundo”, salientou a conferencista, ressalvando que “a obra é de Deus”. Segundo, a irmão paulina, “Paulo compreende que o poder e a sabedoria de Deus se revelam totalmente na cruz e que a Sua força manifesta-se na fraqueza”, “sente-se investido e incendiado pelo amor de Cristo, com um a força interior que o impele a difundir a mensagem evangélica”. “Há uma força interior misteriosa que investe sobre Paulo e o empurra a evangelizar os gentios, da qual ele não pode, nem quer subtrair-se”, justificou, apresentando a evangelização como um “encargo que recebeu por vontade de Deus”. Paulo considera a missão como uma sagrada e solene liturgia em honra do Altíssimo. Com base nestes pressupostos, “Paulo escolhe sempre lugares que ainda não foram evangelizados, porque tinha consciência que o querer de Deus sobre ele era o de levar a salvação a todas as pessoas. Constitui comunidades cristãs nos grandes centros urbanos como sinal vivo na nova fé. Acompanha o crescimento dessas comunidades com o empenho de toda a sua vida. O projecto missionário de Paulo tem em vista todos os povos. Ninguém deve ficar excluído do Evangelho, ideia que parte do facto de que, em Jesus, Deus criou uma nova humanidade, a humanidade cristã”, elucidou a irmã paulina na sua exposição que intercalou com a apresentação de algumas cenas do filme ‘Pedro e Paulo – com coragem e fé’, com Anthony Hopkins no papel de São Paulo. Garantindo que “Paulo não se separou de Pedro e dos outros apóstolos”, nem da comunidade de Jerusalém, a irmã Miriam Rotta justificou que “Paulo procurou ser pessoa de comunhão para ser pessoa de missão” e teve, por isso, os seus colaboradores, porque “foi um homem de grandes relações”: “anciães que assumiam a responsabilidade de animar e conduzir as comunidades cristãs”. “Minimizar o grupo missionário de Paulo é perder detalhes preciosos do seu trabalho apostólico”, advertiu, salientando que o apóstolo “anunciava a Boa Nova não em nome próprio, mas da comunidade”. A terminar, referiu-se ao papel das mulheres no contexto paulino, frisando que “tinham títulos importantes na organização da Igreja” e que se “afadigavam nas comunidades”. “Para nós fica um grande estímulo com a figura deste grande evangelizador”, concluiu. Brevemente, mais fotos na Galeria de Imagens