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Ir. Roger de Taizé

Nunca falei pessoalmente com ele, mas tal nem foi preciso para sentir a presença de Deus, nos seus gestos e nas palavras que nos dirigia nas orações. Tenho na memória a primeira vez que o vi num oração da noite rodeado de crianças, sem ainda perceber o porquê, notei como aquele homem com um simples sorriso e um tocar nas suas cabeças fazia com que as crianças se sentissem amadas e felizes. De facto sinto-me um privilegiado por ter assistido tantas vezes a esta boa imagem que manterei na minha memória para sempre. No final de cada oração nocturna, o Ir. Roger vinha ao encontro dos jovens e tinha sempre um gesto: um sorriso, uma frase, o sinal da cruz na cabeça ou simplesmente tocava nas nossas cabeças e rezava a Deus por cada um. Era isto que atraia o jovem: a simplicidade e alegria que demonstrava no mais simples dos gestos. Não eram necessárias muitas palavras, nem grandes discursos para vermos naquele homem um instrumento de Deus. Era um momento profundo e sublime. Sinto-me mais uma vez um privilegiado por me ter ajoelhado perante esse homem que irradiava uma presença tão notória de Deus que nos fazia sentir os filhos mais amados do Pai. Um dia, por acaso, assisti à maior lição de humildade que Roger de Taizé pôde dar. No final de uma oração da noite, cerca de 6 sacerdotes de origem asiática aproximam-se do Ir. Roger e iam ajoelhar-se para ele lhes impor as mãos, e qual não é o meu espanto, quando vejo o Ir. Roger, já muito debilitado e ajudado por dois irmãos, ajoelhar-se ele perante os sacerdotes, e serem eles a imporem as mãos ao Ir. Roger. Palavras para quê?!… Retirou-se para junto de Deus, mas o seu espírito permanecerá eternamente em Taizé e em tantas gerações de cristãos que passaram e passarão por aquela colina, pois quem ali se deslocar vai viver na humildade, na simplicidade, na alegria, na doação aos outros, na aceitação do próximo e fundamentalmente numa profunda paz de coração. Em Taizé vive-se o espírito do Evangelho de Jesus Cristo e era isso que a vida do Ir. Roger de Taizé dizia a todos nós: “ama e di-lo com a tua vida”. No dia 7 de Agosto, o nosso grupo do Algarve, constituido por 56 jovens, chegou a Taizé e estivemos lá até ao dia 15. No dia 16, já em Colónia recebíamos a notícia do assassinato do Ir. Roger. Foram momentos difícies que passámos em Colónia, um misto de sentimentos passou em cada um de nós, e só foram suportados com oração e um grande apoio entre todos nós. Voltamos a Taizé, depois da Jornada Mundial da Juventude e foi unânime a vontade dos 56 algarvios em ir ao funeral prestar uma última homenagem a este “ícone vivo” e foi lá que conseguimos serenar e pacificar o nosso coração, num ambiente de paz e perfeita aceitação dos desígnios de Deus. Um dia perceberemos tudo isto e até lá, só me resta dizer: até um dia Ir. Roger e peça ao nosso Pai, para que cada um de nós consiga ser o pequeno “ícone vivo” durante a peregrinação na terra.

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