Falando no âmbito da iniciativa que a comunidade das irmãs Carmelitas Descalças organizou para comemorar o centenário da morte da irmã Isabel da Trindade, o sacerdote carmelita sublinhou a importância da consciencialização e da interiorização da presença de Deus na vida de cada pessoa. “Deus está na profundidade. Por isso, temos de descer à profundidade porque Deus está no mais profundo de nós”, realçou, concordando com a ideia de que “os homens não se dividem em crentes e não crentes, mas em superficiais e profundos”. O conferencista afirmou ainda que sem esta “experiência de fé e de Deus” é impossível manter a perseverança na prática cristã, acrescentando que Isabel da Trindade apresenta um caminho, através da Santíssima Trindade, para se chegar a essa espiritualidade. O padre Jeremias Vechina, baseando-se no escrito da religiosa intitulado “Como encontrar o céu na terra”, frisou que, ao contrário da ideia que tantas vezes existe, “o místico é um ser que vive com os pés na terra”. “Encontrei o meu céu na terra porque o meu céu é Deus e Deus está dentro de mim”, afirmou, cintando a carmelita beatificada pelo saudoso Papa João Paulo II a 25 de Novembro de 1984. “A irmã Isabel é uma mulher que experimentou a Santíssima Trindade e apresenta-nos uma santidade e uma experiência de vida que, para a fazer, não é necessário sair da realidade e do mundo”, considerou o sacerdote. O padre Vechina explicou ainda que “é pela pessoa de Jesus que a irmã Isabel entra na intimidade da Trindade”. “Quem a esclarece acerca do mistério de Deus é a pessoa de Jesus e é através da sua humanidade que ela vai descobrir Deus Pai”, explicou o conferencista, justificando que “a dimensão humana de Jesus está muito presente na vida de Isabel da Trindade”. “A irmã Isabel fixa-se na paixão de Jesus e vê em Cristo, o crucificado por amor”, sublinhou. A irmã Maria do Carmo, madre superiora do Carmelo do Patacão, explicou à FOLHA DO DOMINGO que o objectivo desta iniciativa foi “aproveitar o contexto de nova evangelização para ajudar os cristãos algarvios a interpelarem-se sobre o que é a vida cristã”. “Não foi nossa intenção dar a conhecer a pessoa de Isabel da Trindade, mas a sua mensagem”, esclareceu. No primeiro dia deste tríduo, dia 16, as religiosas apresentaram a biografia da beata Isabel da Trindade, nascida em Avor (França) em 1880. As irmãs referiram-se à conversão de Isabel, na sua primeira comunhão e à intensa vida da jovem que morreu apenas com 26 anos. O último dia, 19 de Novembro, ficou marcado pela Eucaristia de encerramento presidida pelo sacerdote carmelita que explanou o que foi a vida da beata Isabel da Trindade. À interrogação constantemente colocada nos dias de hoje perante as tragédias que assolam o mundo, “onde está Deus?”, o celebrante respondeu com uma citação do pensamento e da vida de outra carmelita, Santa Teresa do Menino Jesus: “Deus está no mais íntimo de cada um de nós”. No final, e venerando a beata Isabel da Trindade, que faleceu a 9 de Novembro de 1906, no convento das carmelitas em Dijon (França) pronunciando a expressão “vou para a Luz, o Amor, a Vida”, foi cantada a oração por ela composta intitulada “Ó meu Deus, Trindade que eu adoro”. Encerrando as comemorações houve um concerto pelo grupo coral Santa Maria, de Faro, dirigido pelo professor Rui Jerónimo.