As obras arrancaram num dia particularmente significativo para os cristãos, Quarta-feira de cinzas, quando ocorre início da caminhada quaresmal. Constituída a Comissão de Obras formada por leigos da comunidade paroquial, a primeira fase foi a de destruição das velhas instalações existentes para preparar o terreno para uma área de construção que terá cerca de 800 m2. O padre Nuno Rodrigues, um dos missionários espiritanos que trabalham na paróquia de São Miguel Arcanjo, lembra, porém, que «Cabo Verde não tem os meios de outros países» e testemunha que «só com entulho e terra foram retirados cerca de 500 camiões» e que «a restroescavadora fez cerca de 45 horas de serviço». O sacerdote assegura que, em Cabo Verde, os preços dos serviços de construção civil «são exorbitantes» e acrescenta que «a restroescavadora, por cada hora de serviço, custou 20 mil escudos e os camiões, por cada carrada, 3 mil escudos». O padre Nuno Rodrigues, um dos missionários espiritanos que trabalham na paróquia de São Miguel Arcanjo, entende que é preciso «avançar com determinação e ao mesmo tempo com a confiança de que é um projecto para se fazer a longo prazo e à medida das ajudas que forem chegando». A obra está agora na construção das fundações, trabalho que tem sido dificultado pelo facto de o terreno ser «duro e rochoso». O padre Nuno Rodrigues afirma ainda que, «apesar do povo ser pobre e não ter meios financeiros para ajudar, há uma grande disponibilidade das pessoas para virem ajudar com as suas próprias mãos calejadas e habituadas ao trabalho». «O Cabo-Verdiano é trabalhador e lutador», considera, acrescentando que, «afim de todos participarem, foi feita uma escala de serviço pelas várias comunidades cristãs da paróquia». O sacerdote garante ainda que «há uma forte motivação de todos os cristãos ao verem a sua paróquia envolvida num projecto de grande envergadura». Enquanto os mais novos colaboram activamente na construção da obra, os mais velhos detêm-se a contemplar a destruição da residência antiga e relembram que foi com as suas próprias mãos que a construiram, animados pelo espírito do padre Crettaz, espiritano suíço, o obreiro daquela comunidade paroquial. O padre Nuno Rodrigues considera que «agora é a hora de lançar mãos, novamente com o mesmo espírito e determinação de antigamente» e confessa que «têm sido várias as ajudas de pessoas que juntas vão tornando possível a realização do projecto». «De muitos lados chegam-nos apoios sentidos, com forte sentido missionário e de partilha solidária. De toda a Família Espiritana, de algumas dioceses de Portugal que se dignaram partilhar connosco a sua renúncia quaresmal», afirmou.