Para assinalar estas duas datas, o Papa celebrou a Eucarístia na Praça de São Pedro, justamente no "primeiro dia da semana" dos seus aniversários, por coincidência o Domingo da Divina Misericórdia, como recordou o Cardeal Angelo Sodano, que o saudou em nome de toda a Igreja, que se reuniu naquele espaço sagrado para dar "graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterna a sua misericórdia": para dar graças à bondade de Deus que concedeu a Joseph Ratzinger o dom da vida e o cumulou com muitas e excelsas qualidades de inteligência, sabedoria, fidelidade e prudência e porque na sua infinita misericórdia no-lo deu como Papa Bento XVI e o colocou à frente da Igreja para nos guiar como condutor esclarecido por caminhos de doutrina seguros e verdadeiros. Faz amanhã precisamente dois anos, que Bento XVI se apresentou como "humilde trabalhador da vinha do Senhor". Não obstante o seu brilhante percurso académico, apesar de ter sido Arcebispo de Munique – uma das mais importantes dioceses do mundo – apesar de ter sido Prefeito da Congregação da Doutrina da Fé e um dos principais colaboradores de João Paulo II, o Papa apresentou-se como um simples trabalhador da vinha do Senhor. Do seu intenso e incansável labor na vinha do Pai saiu agora, por ocasião destes felizes aniversários, um livro de autoria do Papa, em que Joseph Ratzinger vinha trabalhando desde 2003. Jesus de Nazaré, assim se chama a obra, que em italiano, alemão, polaco e grego chegou às livrarias no dia 16 de Abril e que no próximo mês de Maio será publicado em português. Não se trata de um documento do magistério pontifício, por isso a obra traz o nome de baptismo do seu autor: Joseph Ratzinger. Este livro, foi apresentado em Roma, por um antigo aluno do Papa, o actual Arcebispo de Viena de Aústria, Cardeal Christoph Schonborn, que se encontrava acompanhado do teólogo protestante Daniele Garrone e do filósofo italiano Massimo Cacciari. O Cardeal austríaco salientou que o autor não escreveu este livro como "Papa, Cardeal, Bispo, Professor ou Sacerdote, mas sim como simples fiel, o cristão Joseph Ratzinger". O livro, que promete vir a tornar-se um best seller, visa mostrar que o Jesus da história é o Cristo da fé, que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus, o Messias prometido e "demonstrar a credibilidade histórica dos Evangelhos", face às historietas fantasiosas fabricadas por pessoas sem escrúpulos, que só visam o lucro e a fama mediática, como o "Código da Vinci" e outra literatura do género. O trabalho do Papa, por sua vez, é o resultado de uma investigação séria, de um aturado estudo, realizado ao longo de décadas. Para ilustrar esta ideia, o Cardeal Schonborn testemunhou que "nos muitos anos em que foi meu professor, bispo e depois Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, nunca o vi sem ter debaixo do braço a edição crítica do Novo Testamento em grego. Nunca conheci nenhum outro professor de Teologia que tenha tido uma tão grande intimidade com a Bíblia", acrescentando aquele purpurado austríaco que o Papa "sabe do que fala, pois o seu livro testemunha, em cada página, quanta familiaridade tem com o trabalho das ciências bíblicas". Na semana dos seus aniversários, o Santo Padre oferece-nos a todos um belo, rico e inesperado presente. Saindo em Maio a edição portuguêsa, este livro poderá constituir uma excelente leitura para as férias de Verão e um valioso e interessante presente que poderemos oferecer aos nossos amigos nos seus aniversários e em outras ocasiões festivas, particularmente àqueles que tanto se impressionaram pelas fantasias idiotas de Mr. Dan Brown e quejandos, para que possam ter acesso ao contraponto autorizado, de quem lhes pode mostrar a autêntica verdade sobre Jesus O Cristo! Obrigado, Santo Padre.