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Jorge Botelho reconheceu que têm sido pedidos mais apoios à Segurança Social

Jorge Botelho, intervindo sobre a temática “Combate à Pobreza – Que respostas?”, veio apresentar alguns indicadores importantes que confirmaram que o Algarve está a ser afectado pela crise mundial financeira e económica. “O Algarve não é imune à realidade que nos rodeia e estamos a passar uma fase complicada”, reconheceu aquele responsável, garantindo que há “mais desemprego, mais pessoas a receber o Rendimento Social de Inserção e mais apoios a famílias carenciadas”. Jorge Botelho confirmou mesmo que o CDFISS, em 2007, atribuiu o Subsídio de Desemprego a 5.473 pessoas, enquanto, em 2008, o número de desempregados a receber o apoio foi de 7.443. “Já não há só a pobreza de falta de meios. Também há a pobreza de gente que viveu muito bem e por causa do sobrendividamento está a viver muito mal. Isso também é uma situação de pobreza. Há muita gente com bens que está a passar verdadeiramente mal”, testemunhou. Por outro lado, referiu-se ainda a outros apoios assegurados. “Num País como o nosso, onde as pensões são relativamente baixas, o Estado não pode deixar de fazer uma intervenção de mínimos. Por isso foi criado um Complemento Solidário para Idosos (CSI), porque ninguém pode viver abaixo de um determinado valor de rendimento”, explicou, lembrando tratar-se de pessoas que, muitas vezes, pelo facto de já não serem mediáticas, embora em número muito significativo, “sofrem no seu isolamento”. O director do CDFISS explicou que o CSI é atribuído a todos os idosos, a partir dos 65 anos, que tenham um rendimento inferior a 400 euros e que os descendentes não sofrem qualquer penalização ou prejuízo com isso, independentemente dos bens que possuam. “Havia muitos idosos que tinham uma reforma de 173 euros ou 220 euros e não sabiam. Há um ano começámos com 1800 idosos que tinham direito à prestação, mas achámos que havia mais e pedimos às pessoas que nos trouxessem mais idosos, fechando o ano com 7000 pessoas a receber o CSI. Actualmente, todas as semanas, mais 80 ou 90 pessoas vão requerer o CSI”, testemunhou Jorge Botelho, lembrando que os directores distritais da Segurança Social foram chamados duas vezes ao ministro Vieira da Silva que queria saber porque não havia mais idosos a receber o apoio. Neste sentido, o conferencista deixou claro que “todos têm direito à Segurança Social”. “É um direito universal que a nossa lei nos confere. Pelo menos a uma pensão social têm direito, desde que se enquadrem nos critérios de rendimentos”, acrescentou. Garantindo que o sistema de Segurança Social está organizado para “apoiar os que mais necessitam”, explicou que o Sistema de Protecção Social de Cidadania tem por objectivo “garantir direitos básicos dos cidadãos e igualdade de oportunidades, bem como promover o bem-estar e a coesão sociais”. Compete ao sistema a efectivação do direito a mínimos vitais dos cidadãos em situação de carência económica, a prevenção e erradicação de situações de pobreza e exclusão, a compensação por encargos familiares e por encargos no domínio da deficiência e da dependência. “Todos os dias as técnicas da Segurança Social fazem atendimentos para situações desta natureza. Pessoas que não estão a conseguir pagar a renda da casa; pessoas que devem meses de supermercado e já não lhes dão fiado; pessoas que não tem dinheiro para comprar as fraldas para o filhos; pessoas a quem falta o carrinho de bebé; pessoas que ficaram por aqui e não têm dinheiro para voltar para a família”, exemplificou, garantindo que “também o número de atendimentos a este nível aumentou”. “Não vou dizer se há mais ou menos pobreza porque isso é difícil”, acrescentou no entanto Jorge Botelho, referindo mais apoios garantidos pela Segurança Social como o apoio assegurado no último ano a 5000 mulheres grávida a partir da 14ª semana de gestação. Considerando que “as IPSS – Instituições Particulares de Solidariedade Social fazem, em colaboração com a Segurança Social, um trabalho inestimável de protecção ao mais carentes”, o director do CDFISSS defendeu que “o critério de proximidade é sempre o mais favorável para uma melhor intervenção social”. Jorge Botelho explicou que existe no Algarve “uma rede de equipamentos sociais que não é da Segurança Social mas é das IPSS”. “Temos cerca de 130 IPSS e todas elas prestam serviço à comunidade. Dão apoio às famílias e grande parte recebem zero, ou melhor, chatices e incompreensões. Ainda há nas nossas IPSS muitas que fazem o seu trabalho com total amor e desprendimento”, observou, lembrando que a Segurança Social paga um valor mensal pré-determinado com as IPSS, “que não suporta a despesa toda com os utentes porque há uma comparticipação familiar”. “No Algarve paga-se 45 milhões de euros anuais nestes acordos”, adiantou. O conferencista anunciou ainda que, no âmbito do PARES – Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais, vão ser criados 2000 lugares em 26 creches e 4 lares de idosos. Neste contexto, Jorge Botelho afirmou ainda que foi aprovado um programa de 16 milhões de euros para o Algarve para a construção de 4 equipamentos para idosos e mais 10 a 15 novos lares de idosos com fundos públicos comparticipados a 60 por cento. “Temos uma emergência muito grande em fazer lares de idosos porque não temos vagas”, justificou. A terminar, foi ao encontro das intervenções antecedentes defendendo que “a pobreza não se evangeliza mas combate-se”. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens

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