Para além deste aspecto, que parece comprovar uma crescente necessidade formativa sentida por parte dos agentes de pastoral das paróquias algarvias, a edição deste ano das jornadas litúrgicas ficaram muito marcadas por um acontecimento que ocorreu recentemente na Igreja e que inspirou a intervenção da maioria dos conferencistas: o último Sínodo dos Bispos, que decorreu de 5 a 26 de Novembro passado, no Vaticano. Com efeito, quase todos os oradores basearam grande parte da sua reflexão neste acontecimento que se deteve a analisar a importância de «A Palavra de Deus na Vida e Missão da Igreja». Por outro lado, esta acção da Diocese do Algarve, já assumida como uma das mais importantes no contexto de consecução do Programa Pastoral de cada ano, destinada sobretudo a todos aqueles que exercem algum ministério litúrgico, – leitores, cantores, animadores das celebrações da Palavra na ausência de sacerdote ou ministros extraordinários da comunhão –, tendo em conta a temática deste ano – ‘Pela Palavra da Verdade’ –, destinou-se igualmente aos agentes que exercem ministérios proféticos, de modo particular, os catequistas. Mas as Jornadas Diocesanas de Pastoral Litúrgica ficariam verdadeiramente marcadas pelo apelo, comum a todas as intervenções, para que os cristãos algarvios adquiram uma compreensão integral da Eucaristia através do sentido pleno da Palavra de Deus na celebração eucarística, o que parece ainda não existir. A consciência de que tão importante como comungar do Pão e do Cálice eucarístico, do Corpo e Sangue de Cristo, é acolher a Palavra de Deus, foi a ideia mais sublinhada nas jornadas. Sublinhou-se assim sobremaneira a unidade entre a liturgia da Palavra, sem a qual a Eucaristia não se cumpre, e a liturgia eucarística que formam um só acto de culto e que a Palavra é tão venerável quanto o Corpo de Cristo. De tal forma que, conforme explicou o Bispo da diocese algarvia, a Igreja pensa mesmo aprofundar mais, do ponto de vista teológico, o sentido da sacramentalidade da Palavra. O despertar desta consciência, sublinhara o Bispo do Algarve quando na sua conferência manifestou a sua expectativa pessoal em relação àquela acção. “Assim esperamos que resulte desta assembleia uma nova etapa de maior amor à Sagrada Escritura”, afirmou D. Manuel Quintas. Destaque ainda para a celebração mistagógica que, no primeiro dia, teve a finalidade de fazer compreender aos participantes o significado dos sinais e gestos realizados na Eucaristia, para a Lectio Divina que se realizou à noite com reflexão a partir das cartas de São Paulo e para a Eucaristia de encerramento.