A iniciativa, que este ano teve como tema o “Voluntariado”, ajudou os presentes a reflectir e a perceber a necessidade da formação e de estruturação com vista à prática daquela actividade. D. Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve, começou por sublinhar o sentido do voluntariado cristão. “Humanamente sabemos que devemos fazer bem a quem precisa, mas do ponto de vista da fé, sabemos que aquilo que fizermos uns aos outros é ao próprio Cristo que o fazemos. A raiz do voluntariado cristão está na própria pessoa de Cristo. Ele próprio foi um voluntário por excelência exactamente para nos mostrar que a força do amor, a grandeza da vida e felicidade plena está nestes gestos e atitudes de doação e entrega aos outros voluntariamente”, afirmou o Bispo diocesano. Maria Elisa Borges e Alexandra Menezes, membros da Comissão Nacional para a Promoção do Vo-luntariado, depois de fazerem uma breve abordagem histórica às origens do voluntariado, sublinharam as suas motivações e a importância da formação dos agentes. As oradoras garantiram que “o voluntariado não retira trabalho aos profissionais” e que “é difícil medir as suas motivações”. “Não existem boas e más motivações, mas motivações mais ou menos conscientes”, afirmaram, considerando que “existe uma forte motivação religiosa”. “Quando a tentativa de silenciar motivação religiosa acontece condiciona o voluntariado. Ele não acaba, mas nota-se um empobrecimento”, referiram. Foi ainda destacada a mais valia da integração do serviço de voluntariado numa estrutura organizada. “Quando o voluntariado integra uma estrutura organizada não corre tantos riscos de a sua acção não se enquadrar perfeitamente na resposta pretendida”, pois “no voluntariado informal o voluntário pode correr o risco de não ser bem aceite pelo beneficiário”, alertou Alexandra Menezes, defendendo que “o voluntário tem de ter uma formação adequada antes de começar a intervir”. “Estas desconfianças podem também acontecer com organizações em relação aos voluntários informais”, complementou. Carlos Oliveira, presidente da Caritas Diocesana do Algarve, em declarações à FOLHA DO DOMINGO explicou a escolha do tema deste ano. “Sentimos que, cada vez mais, há pessoas disponíveis para ajudar os outros e essas pessoas que aparecem têm necessidade de formação para que possamos estarmos dentro do espírito que nos anima, pondo de parte alguns ressentimentos de lucro próprio em causa própria ou de posição social. É necessário que as pessoas tenham consciência de que ser voluntário é ter um total desprendimento das coisas que os rodeiam e centrar toda a sua atenção naqueles precisam de nós”, referiu, defendendo a criação de uma rede entre as várias entidades que operam nesta área. “Seria bom que, por exemplo nas grandes cidades, onde existem várias associações de voluntariado, nomeadamente com os grupos de acção sócio-caritativa paroquiais e também com o voluntariado hospitalar e das cadeias, pudesse haver um fórum com estas 3 vertentes e uma conjugação de esforços e ideias para que as pessoas se sentissem partilhando da sua experiência e ganhando um bocadinho de vontade para serem mais sensíveis a esta questão”, afirmou.