José Roquette, que falava no Seminário de São José, em Faro, onde decorreu aquela sessão, explicando o sentido daquela organização. “Dentro da ACEGE associamo-nos para que, ao mesmo tempo que se realizam os objectivos fundamentais das empresas, isso seja feito sempre com uma preocupação das pessoas”, afirmou, reconhecendo que a ética “implica adquirir hábitos e assumir opções que, por vezes, são altamente incómodas”. “O empresário vive permanentemente numa situação de tensão. É difícil gerir num mundo altamente competitivo. É complexo em toda a parte e também em Portugal, onde ainda por cima, o empresário tem má imagem”, acrescentou. José Roquette considerou igualmente que o “conjunto de valores da ética trazem para dentro das empresas responsabilidade competitiva acrescida” e “não são mais um peso que se tem de carregar”. “Produtos e serviços de empresas que têm um compromisso com a responsabilidade social são valorizados de uma forma diferente em termos daqueles que não adoptam essa postura”, adiantou o empresário. O ex-dirigente sportinguista estabeleceu uma relação directa entre a consecução dos objectivos das empresas e o envolvimento dos seus colaboradores. “Se quisermos que haja uma sintonia entre o projecto empresarial e o projecto de vida das pessoas há duas coisas que têm de acontecer: a primeira é que o projecto empresarial tem de ser transparente e a segunda, que os colaboradores também tenham projectos de vida mais ou menos definidos”, observou, lembrando que “a vida das pessoas não se esgota na sua dimensão profissional”. “Não é possível haver culto de qualidade dentro de um projecto empresarial se não acontecer um envolvimento profundo de todos os colaboradores”, complementou. Mas Roquette destacou a importância do projecto que está acima destes. “Se por um lado temos projectos empresariais e pessoais, também sabemos que há um projecto que está por cima de todos estes que é o projecto que Deus tem para o homem”, disse. Aos cerca de 40 empresários presentes algarvios presentes, o conferencista interpelou-os a marcar pela diferença. “Não nos esqueçamos nunca que os valores em que acreditamos fazem de nós os herdeiros e os profetas da esperança”, afirmou. Lamentando não existir um “projecto nacional” para permitir aos empresários uma melhor configuração dos seus projectos, José Roquette defendeu ser necessário “mobilizar as pessoas para um objectivo” e apelou à sua desinstalação. “Em Portugal somos uma sociedade muito instalada. Somos um País pequeno e aquilo que fizemos no mundo há uns séculos e aquilo que ainda é possível e está ao nosso alcance, só pode acontecer se desenvolvermos um alto grau de coesão social”, defendeu. A este nível, Roquette considerou mesmo que “provavelmente os portugueses fora de Portugal contribuem para as economias dos países onde desenvolvem a sua actividade talvez com valores que poderão exceder o próprio PIB nacional”. “O tema da coesão social é um tema vital que não vejo tratado pela porta da frente”, lamentou. Aquele membro da ACEGE voltou então a exortar à mobilização dos empresários católicos. “Parece-me que se torna urgentíssimo perceber que o alargamento do sentido de solidariedade humana efectiva e real tem de ser activado a níveis que não estamos habituados. E nós, os católicos, temos nesse aspecto um compromisso muito pesado”, concretizou, acrescentando que “o conviver com a pobreza e o desajustamento social é qualquer coisa que tem de ter uma revisão”. “As pessoas que não têm sensibilidade suficiente para estar despertas para o sofrimento dos outros não tem capacidade para serem verdadeiramente felizes”, afirmou. Garantindo que a miséria existe ainda em Portugal, José Roquette disse que “o mundo daqueles que não tem o suficiente para assegurar um nível de sobrevivência, em termos físicos” é uma realidade sua conhecida. “Esse problema é responsabilidade de todos e se tivermos à espera que seja a classe política a resolver esse problema ela não vai resolver porque não tem qualquer capacidade para o fazer”, complementou, defendendo como solução para este tipo de problemas “um autêntico crescimento económico que leve a economia a produzir níveis acrescidos de bem-estar e que esses níveis sejam equitativamente repartidos através de uma fiscalidade correcta e séria”. A terminar, Roquette defendeu que “a única forma de assegurar crescimento económico sustentado é com investimentos bem geridos”.