Antes de partir, a jovem missionária explicou à FOLHA DO DOMINGO que este era um projecto que já há alguns anos tinha em mente, embora tenha estado um pouco “atenuado” nos últimos tempos. No entanto, “de há um ano para cá, parece que começou a despertar uma vontade de partir”, refere Carmem Santos, de 28 anos, certa de que “foi um chamamento”. Como não tinha conhecimento de institutos no Algarve que possibilitassem a ida em missão, Carmem Santos procurou informar-se melhor. Assim, ao participar o ano passado nas Jornadas Missionárias Nacionais em Fátima, constatou com surpresa que a congregação das irmãs Franciscanas Missionárias de Maria, presentes no Algarve, possibilitavam a quem quisesse a integração em projectos missionários como o que pretendia. Esteve um ano em preparação, participando nas formações da FEC – Fundação Evangelização e Culturas. Prestes a partir, garante que o querer ser voluntária missionária é um chamamento de Deus que não a faz ter medo. “É de tal maneira grande a felicidade de ir que não sinto medo”, frisou, acrescentando que o facto de ir sozinha não foi também um obstáculo que a levasse a desistir. Por outro lado, assegura que não criou grandes expectativas. “Prefiro não o fazer e ir de coração aberto para puder viver aquilo que encontrar no momento e entregar-me de uma forma simples. O que me faz mesmo partir é esta vontade de me dar aos outros e sei que, quando nos damos por amor, recebemos muito mais. Sinto que, por muito pobre que aquele povo seja, sou eu que vou ganhar muito como pessoa”, afirmou. Carmem Santos aponta ainda a necessidade de implicar a sua família na sua própria preparação. “A minha família inicialmente achou um pouco estranho, mas agora sinto que já estão comigo em missão. Já estão a aceitar e estão felizes”, refere. Em relação à sua paróquia, a Luz de Lagos, reconhece igualmente o seu apoio. “Estou a sentir que ao partir em missão é toda a minha comunidade que vai em missão. Sentem-se missionários ao enviar alguém da sua comunidade”, explica Carmem Santos, salientando o contributo da oração por parte da sua comunidade que também angariou alguns bens para mandar para África. Do ponto de vista financeiro, a viagem para Angola será inteiramente suportada pela própria Carmem Santos.