A história de Linda Vieira ganhou um novo desenvolvimento após a conclusão, em 2005, da licenciatura em Educação e Intervenção Comunitária. Na altura decidiu disponibilizar algum tempo da sua vida para sua formação pessoal cristã e foi para França, durante um ano, formar-se na Escola Internacional de Formação e de Evangelização da Comunidade Emanuel em Paray-le-Monial, no sul da Borgonha. Este, considera ter sido até agora “o ano mais importante” da sua vida. Nesse ano, em que pensava “descobrir muitas coisas sobre Deus e sobre a Igreja católica”, conta ter-se descoberto a si mesma, através da vida em comum com mais 20 jovens de sete nacionalidades diferentes, através da oração que lhe permitiu “aprofundar uma verdadeira relação de amizade com Jesus Cristo” e através de alguma formação teológica que foi tendo. “Conheci-me muito melhor e percebi que fui feita para ser imensamente feliz”, lembra Linda Vieira, acrescentando ter tido a percepção de que a sua felicidade “passava essencialmente pela felicidade dos outros”. Depois desse ano em França, onde decidiu que a sua vida “teria de passar radicalmente por uma relação com Cristo, fosse casada, solteira ou consagrada”, regressou a Portugal, mas foi logo convidada para trabalhar em Itália, onde esteve cerca de três meses. “A minha experiência em Itália foi um verdadeiro sonho. Para além de ter aprendido aquela língua que sempre admirei tanto, vivi a grande «queda» da minha vida”, explica Linda Vieira. A trabalhar no Vaticano, teve oportunidade de conhecer imensos jovens, de múltiplas culturas, oriundos de vários pontos do globo, nos mais diversos estados de vida. “Aqueles que mais «mexeram» comigo foram os que se preparavam para uma doação total das suas vidas: os seminaristas e as jovens irmãs”, confessa a jovem algarvia, acrescentando que tinha também um “desejo enorme” de se “dar totalmente a Deus”, mas sentia “imenso medo”. “Medo de não dar certo, medo daquilo que os outros iriam dizer”, concretiza Linda Vieira, lembrando ter pensado já na altura que gostaria de ter uma “vida desprendida” para poder dedicar-se à humanidade. Depois de três meses em Itália, e antes do regresso a Portugal, esteve uma semana na Toscana italiana onde teve oportunidade de “parar e reflectir sobre o que queria fazer da vida”. “Foi aí que Deus me «caçou»”, assegura Linda Vieira, lembrando ter encontrado no seu quarto um livro sobre a vida de São João Bosco, um jovem italiano que se tornou padre e dedicou toda a sua vida à juventude pobre e abandonada. “Percebi que era assim que eu queria viver. Só me apetecia ir à procura das irmãs que tinham seguido o projecto daquele padre”, testemunha, recordando o espanto de ter percebido em Portugal que essas religiosas eram as mesmas salesianas que colaboravam na sua paróquia de origem. Linda Vieira assegura que este seu caminho de discernimento vocacional tem sido de “procura, esclarecimento e experiência”, no sentido de conhecer melhor a vida das irmãs salesianas e também para ir percebendo se realmente é esta a sua vocação de vida. Desde que chegou ao Monte Estoril reconhece que “as dificuldades não têm sido poucas”. Desde a diferença de idade relativamente às religiosas com quem trabalha, “à forma de olhar para o mundo, às dificuldades na educação” das crianças que lhe estão confiadas no colégio onde trabalha, vários são os desafios apontados por Linda Vieira que se diz certa de estar diariamente a “responder a um chamamento” cujas dificuldades inerentes “são vividas no amor”. “Tenho realizado aquilo que mais amo: estar com as crianças e os jovens”, reconhece, acrescentando que a alegria que vive junto dos educandos tem sido “uma das confirmações de estar no caminho certo”. “Percebo a cada instante que também eu posso ser chamada a este projecto de vida, tal e qual como sou, com os meus defeitos e qualidades, sem ter que imitar ninguém, mas sendo a Linda que sou”, refere Durante os últimos dois anos de formação teve oportunidade de voltar a estudar, tendo iniciado a licenciatura em Ciências Religiosas na Universidade Católica Portuguesa. No início do próximo mês de Agosto passa a noviça. Depois de ter sido aspirante – alguém que deseja conhecer melhor a vida religiosa mas ainda estando de fora –, e postulante – alguém que pede para conhecer um pouco melhor a vida de uma congregação religiosa –, passará agora ao noviciado, o ano em que é mesmo feita a experiência de vida religiosa. Antigamente era nesta fase que as jovens passavam a vestir o hábito. Hoje em dia já não é assim, e cada noviça veste-se como achar bem. Nas duas primeiras etapas Linda Vieira viveu sozinha, mas o noviciado deve ser vivido em comunidade. Por isso, partiu agora, no início de Julho, para Itália para se juntar a outras jovens de diversos países da Europa, indo frequentar um curso de italiano. Nos próximos dois anos viverá em Itália, a preparar-se para a grande decisão de ser ou não religiosa salesiana. “Estou ansiosa e muito feliz. Ansiosa porque é uma nova experiência que exige adaptação, renúncias e crescimento interior. Feliz porque é a decisão da minha vida, por ser em Itália e porque terei outras colegas com quem partilhar este meu desejo de entregar a minha vida”, confessa Linda Vieira. Aos amigos e familiares que ficam em Portugal pede que a acompanhem espiritualmente. “Rezem por mim. Peçam a Deus para que eu saiba viver esta experiência a sério e sempre com a alegria que me tem acompanhado durante toda a vida. Rezem também por todos os jovens que desejam viver estas coisas de forma mais radical, mas não têm a coragem, como eu inicialmente não tinha”, pede.