Concentrados desde as 23.30 horas na igreja de Santa Maria de Lagos, os jovens das paróquias da vigararia de Portimão deram início à «directa» com a Eucaristia à meia-noite, associando-se a esta ‘Noite Paulina’, os seminaristas do Seminário de São José de Faro e os Caminheiros (18-21 anos) de alguns agrupamentos algarvios do CNE – Corpo Nacional de Escutas por celebrarem, no dia 25 de Janeiro, o Dia de São Paulo, seu patrono. Eleito pela vigararia de Portimão para a organização da iniciativa, o padre Joel Teixeira, começou por indicar o objectivo da mesma. “Queremos caminhar à luz da vida de São Paulo para nos encontrarmos com Deus”, afirmou, convidando os jovens presentes a rezar por Rosa Maria, vítima mortal da trágica ocorrência que protagonizou alguns momentos de terror uma semana antes em Lagos e, particularmente, pelo jovem de 21 anos, João Martins, autor do lamentável acto, “para que o Senhor o ajude a encontrar o seu amor”. Concordando com muitos que consideravam aquela iniciativa, protagonizada numa fria e chuvosa noite de Janeiro, como uma loucura, o padre Joel Teixeira confirmou tratar-se de um sinal da “loucura do amor de Deus” vivida por cada participante. “Durante esta noite somos convidados a caminhar. Caminhadas fazem bem à saúde”, lembrou, considerando ainda que a caminhada nocturna iria ainda permitir “escutar a Palavra de Deus”, “conviver” e “criar relações”. “Vamos descobrir o que é que Deus nos pede enquanto jovens do Algarve. Isto é certamente uma loucura, mas uma loucura que dá alegria, que preenche e nos inunda o coração. E quem vive segundo este espírito só pode ser feliz”, elucidou, frisando que, “o cristão não é aquele que olha para os obstáculos e problemas da vida”, mas “aquele que olha para a beleza de seguir Jesus”. Tendo convidado os participantes da ‘Noite Paulina’ a “olhar para Deus, através de São Paulo”, o padre Joel Teixeira lembrou que também o apóstolo, “aos olhos do mundo, foi um louco”. “Queremos seguir este exemplo, não para ser como ele, mas para chegar a Deus. Esta noite não pode ter outro objectivo: olhar para este homem, caminhar com ele e com ele aprender a amar e a caminhar para Deus”, salientou o jovem sacerdote, destacando que “ser cristão é não estar quieto e conformado com a vida, é uma novidade eterna, é ser desafiado e desafiador”. A terminar, o padre Joel Teixeira lembrou que São Paulo, perseguidor e perseguido, “quando se converteu, não foi capaz de guardar para si aquilo que recebeu” e conseguiu converter muitos homens e mulheres porque “ele próprio era um convertido”. Aos jovens explicou a importância do “tesouro imenso” da oração. “É aqui que o cristão vai buscar as forças e encontrar o sentido para a sua vida. Um cristão que não reza não é cristão”, advertiu. Terminada a Eucaristia, a caminhada foi introduzida ainda na igreja com a projecção de alguns slides com imagens de conflitos, guerras e sofrimentos que motivaram a mesma interrogação dirigida por Deus a Paulo na estrada de Damasco, agora direccionada aos jovens: “Porque me persegues?”. “Sou perseguido ou o perseguidor?”, interrogava-se ainda com vista à reflexão pessoal. Brindados com a chuva que parou de cair, os jovens lá se fizeram ao caminho, passando pela Meia Praia e Palmares, até Odiáxere, onde foi feita uma paragem para abastecimento com chá, leite, café e bolos servidos pela comunidade local animada pelas irmãs Franciscanas Missionárias de Maria. A segunda parte da caminhada, também sob escolta da GNR, fez-se com passagem pela Torre e daí pela EN125 até Lagos, terminando novamente na igreja por ter começado a chover já na parte final do percurso, o que impossibilitou o encerramento junto à estátua de São Gonçalo. Ao longo do caminho, que terminou já depois das 7 horas de ontem, os jovens e alguns adultos, na sua maioria dirigentes do CNE, foram convidados à reflexão pessoal, dois a dois ou em pequenos grupos, com base em leituras da conversão de São Paulo escutadas em pontos de paragem. “Como tenho respondido aos apelos que Deus me faz? Tenho orgulho de ser cristão? Quais as «escamas» que me impedem de amar a Deus»?”, foram algumas das interrogações para reflexão. Significativa foi sobretudo a encenação de São Paulo no contexto da sua missão, assim como o gesto da renovação do Baptismo de cada participante, evocado com o acendimento da respectiva vela numa fogueira ou a recitação do terço em grupos. Finalmente sentados no regresso à igreja de Santa Maria, o padre Joel Teixeira congratulou-se com a iniciativa. “As pernas doem-me, as costas também, alguns têm sono, mas não é isso que vai ficar desta noite. O que vai ficar desta noite é esta partilha e este caminho, não o físico, mas o espiritual que fizemos com uns os outros e particularmente com Deus”, destacou. Instantes depois os jovens saiam da igreja já com o dia nascido, tendo a chuva começado a cair torrencialmente. Nesta ‘Noite Paulina’, que curiosamente não contou com a participação de qualquer jovem das paróquias da cidade de Lagos, notou-se ainda a ausência de participantes de algumas paróquias vizinhas.  Mais fotos na Galeria de Imagens

 O que achaste desta ‘Noite Paulina’?
Foto Dinis Santana – Matriz de Portimão “Achei bastante interessante. Foi uma experiência nova. Deu para conviver com os amigos e para reflectir bastante durante a noite ao longo dos várias pontos de paragem”.
   
Foto Estefânia da Cunha – Vicariato do Parchal “Bonita e engraçada. Foi a primeira vez que participei, mas gostei”.
   
Foto Miguel Lagartinho – Caminheiro do Agrupamento 159 de Portimão “Achei muito bem. Gostei e acho que estava bem organizada. Foi bom”.
   
Foto Marta Marques – Caminheira do Agrupamento 159 de Portimão “Achei muito interessante. Atingiu as minhas expectativas, embora não tivesse sido tão boa como outras caminhadas que já fizemos. A adesão também foi boa. Foi uma forma diferente de comemorar o Dia de São Paulo. Tenho pena é que não tenha havido tanta interacção como tem acontecido noutros Dias de São Paulo, mas foi na mesma uma boa actividade”.