Orientada pelo padre Filipe Martins, delegado da Província Portuguesa da Companhia de Jesus na Rede Internacional da Juventude Inaciana, a iniciativa foi promovida em colaboração pelas paróquias da cidade e pela comunidade da Companhia de Jesus no Algarve no contexto das comemorações do 5º Centenário do Nascimento de São Francisco Xavier assinalados naquela cidade com diversas actividades. A proposta era a de proporcionar aos jovens uma oportunidade para, à luz dos sonhos, da missão e vocação do padroeiro das missões, nascido no castelo de Xavier, em Navarra (Espanha), perceberem não só quais os seus próprios sonhos, como também os medos que os impedem de correr e de arriscar, de saltar e de sonhar. “Porque era um homem de profunda oração, Francisco Xavier foi ganhando consciência que a sua grande fonte de confiança era Deus”, afirmou o padre Filipe Martins, explicando o impulso que levou Francisco Xavier a espalhar a fé pelo mundo inteiro. Assim, depois da Celebração Eucarística na igreja de Nossa Senhora do Amparo que deu início à caminhada nocturna, os jovens puseram-se a caminho. Espiritualmente foi-lhes proposto que fizessem interiormente o mesmo percurso de São Francisco, de Paris a Roma, de Roma à Índia, e da Índia à China. Ao longo do percurso de 10 quilómetros, que uniu a igreja na Quinta do Amparo à igreja matriz, passando pela Praia da Rocha, os peregrinos tiveram oportunidade de cantar e rezar o terço, de partilhar e de reflectir, em grupo ou individualmente. Houve momentos simbólicos e celebrativos e no final da madrugada todos foram convidados à confiança em Deus e a comprometerem-se na mudança concreta de vida, para poderem começar a “voar mais alto”. No final da caminhada, pelas 6 horas já de domingo, os jovens, enregelados pelas baixas temperaturas da madrugada, mostravam-se quentes de coração e sem se deixar abater pelo cansaço que era visível. Também o padre Filipe Martins, confessou à FOLHA DO DOMINGO estar “muito contente”. “Se calhar é fácil fazermos coisas para jesuítas, mas não estava à espera de uma resposta tão entusiasta de gente de outras paróquias que pouco ou nada conhecem dos jesuítas”, afirmou o sacerdote, manifestando-se surpreendido pela “adesão ao início, pelo caminho, pelos silêncios, pela relação entre todos e pela quantidade de gente que chegou ao final”. No final todos tiveram direito a um reconfortante pequeno-almoço nos anexos da igreja do Colégio, templo dedicado precisamente a São Francisco Xavier. Tiago Bernardino, 27 anos – paróquia matriz de Portimão Eu já tinha participado em Fátima numa ‘Noite Xavierana’. Achei muito interessante esta experiência aqui em Portimão. Foi espectacular. O momento que mais gostei foi da caminhada pela Praia da Rocha. Silvia Martins, 14 anos – paróquia de Silves Foi uma noite boa, apesar de não termos dormido. Valeu a pena ter vindo cá. A caminhada à beira-mar foi o que mais gostei.