Inseridas num grupo de mais 12 jovens e um sacerdote do movimento dos JSF, as algarvias de 21 anos, desenvolveram o seu trabalho, nesta ‘Ponte (designação que os JSF atribuem ao projecto missionário Ad Gentes que realizam anualmente) 2005’, sobretudo no apoio à infância, na formação de adultos e na animação e formação pastoral. Passados os primeiros dias de apresentação à paróquia, nas três comunidades que a compunham, Matriz, Jardim Esperança e Santos Anjos Custódios, o trabalho das algarvias incidiu, todos os dias das 8h às 23h, sobretudo em Actividades de Tempos Livres (ATL) com crianças, num curso de formação para adultos e crianças e no apoio na pesagem de crianças. As ATL, de manhã e à tarde, com crianças do bairro favelado de Santos Anjos procuraram apoiar os mais novos em tempo de aulas. O investimento foi para as oficinas de Música, Teatro e Artes Plásticas e, segundo as jovens algarvias, foi um dos campos de acção mais compensadores. “Acho que foi neste campo que a nossa actuação foi mais válida”, pois “dávamos aos muitos miúdos a atenção que os professores não conseguiam dar”, considera Carolina Silva. À noite, a formação para adultos e crianças na Matriz e em Jardim Esperança abrangeu áreas como Música, Comunicação Social, Teatro, Saúde, Direitos Humanos e recuperação escolar em Matemática, Física e Química. Ao nível da pastoral da saúde e da criança, a colaboração com os voluntários da paróquia deteve-se na pesagem de crianças com problemas de subnutrição, oriundas de bairros muito carentes. “Muitas das mães só lá iam pesar as crianças porque o leite que ali era oferecido era o único que tinham para alimentar as suas crianças”, testemunha Carolina Silva. Ao longo dos 23 dias de missão, os JSF tiveram oportunidade de apresentar igualmente algumas palestras sobre saúde numa escola de crianças surdas, bem como realizar animação numa escola de alunos (crianças e adultos) com síndrome de Down. Participaram também na animação de várias Eucaristias e na animação da Semana da Família com reflexões sobre diversos temas. Em algumas escolas divulgaram ainda, através de diversas intervenções, o projecto ‘Ponte’ e o carisma missionário. Na pastoral propriamente dita, apresentaram o tema “Crisma e Missão” para o grupo de crismandos e crianças da catequese e proferiram uma palestra sobre “Catequese e Missão” no encontro vicarial de catequistas. Carolina Silva garante que encontraram uma “pastoral muito organizada”. “A questão, tal como cá, é que são sempre as mesmas pessoas que estão metidas em tudo”, complementa. “Porque os jovens ficaram entusiasmados para fazerem actividades mais práticas na paróquia, procurámos que o nosso trabalho de intervenção fosse continuado pelo grupo paroquial local”, refere Ália Rodrigues. De regresso à sua realidade concreta, Ália Rodrigues e Carolina Silva, respectivamente alunas de Línguas e Literaturas Clássicas, Variante Latim e Grego e de Ciências da Comunicação, mostram vontade em “fazer uma experiência de missão mais alargada”, depois de assegurarem o seu futuro profissional. Carolina Silva, assegura mesmo que caso não tenha essa oportunidade, pretende continuar ligada a um movimento de cariz missionário para “continuar a prestar ajuda às pessoas que têm mais necessidades”. A jovem garante ainda que voltou “mais observadora” e com “vontade de testemunhar a vivência junto de outros jovens, por forma a que eles possam viver a sua vida com um pouco mais de objectivos”.