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Juan Ambrosio mostrou que a pobreza material não é uma bem-aventurança

Neste sentido, o teólogo, docente da Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa, constatou que existe na Igreja o “preconceito” de que “ser rico é mau porque ter coisas é mau”. “O que é mau é ser tido pelas coisas”, clarificou Juan Ambrosio, reconhecendo conhecer gente “que não tem coisas e é tida pelas coisas que não tem, mas gostaria de ter”. Neste contexto, o conferencista aproveitou para explicar que “a bem-aventurança não reside no facto de serem pobres, mas no facto de Deus se estar a comprometer com eles”. “Não conhecemos todos ricos que são pobres e pobres que são ricos?”, interrogou, explicando que é preciso “perceber em que sentido é que se tem de ser pobre para se ser salvo”. “Se digo que estou comprometido com Deus, tenho de comprometer-me com a felicidade daquele que não tem onde dormir, não tem o que vestir, não tem com que comer”, frisou, garantindo que “Deus não quer a pobreza porque vai contra o seu plano e o seu projecto”. De seguida explicou que “os pobres são declarados felizes, não por serem mais piedosos e melhores que os outros, mas porque Deus tem vontade de por termo aos seus sofrimentos”. Referindo-se depois à pobreza de Jesus Cristo, Ambrosio lembrou que esta “é uma pobreza por opção”. “Não podemos pôr no mesmo nível aqueles que optam por ser pobres e os que são obrigados a ser pobres. Ignorar esta diferença fundamental é um atentado e um ultraje àqueles que são pobres porque não tiveram outra possibilidade de opção”, salientou, exortando os cristãos a, “mais do que imitar a pobreza material de Cristo”, “a imitar a graça de amor que enriquece os outros”. “Esse é o verdadeiro desafio dos cristãos. Porque Ele não se fez pobre para que os outros fossem pobres, mas fez-se pobre para enriquecer os outros. A pobreza dos discípulos é a disponibilidade para seguir Jesus Cristo”, clarificou, considerando a posse de bens como um “obstáculo para a disponibilidade de seguir Jesus Cristo” apenas quando “as coisas que eu tenho me podem vir a ter”. Juan Ambrosio que já anteriormente tinha caracterizado à actual crise mundial como “uma crise humana e de humanidade”, mais do que financeira ou económica, defendeu que “a falta da reflexão e de um caminho de humanidade sério provocou os desequilíbrios em que estamos neste momento lançados”. “São crises que se tornam cada vez mais graves porque cada vez damos menos importância ao ser humano. O que está a montante é uma crise de humanismo e humanidade. Não podemos continuar a viver de costas voltadas para a realidade humana”, considerou, apontando o Cristianismo como “uma opção pelos outros e pela História da Humanidade e não para uso próprio”. O teólogo defendeu mesmo que “não é a Igreja que tem uma missão, mas a missão é que tem uma Igreja”. “A Igreja existe por causa da missão e não o contrário”, justificou, explicando entender-se por missão o “anúncio explícito da Boa Nova de Jesus Cristo”. “Não posso anunciar o amor de Deus sem me comprometer, sem que o outro sinta esse amor. Deus ama o outro, mas as mãos com que o acaricia são as minhas, a boca com que o beija é a minha e os braços com que o abraça são os meus. Esta é a força e a fragilidade da opção cristã”, reconheceu, lamentando que hoje exista uma “cultura do descompromisso” que não compromete com os outros ou que mesmo quando compromete com os outros é para que os outros não aborreçam. Juan Ambrosio defendeu ser “necessária e urgente uma mudança de paradigma e modelo de evangelização”. “Só uma Igreja verdadeiramente crente pode ser evangelizadora. Crer não é só acreditar em. É acreditar em e por causa disso comprometer-me na construção da História Humana”, considerou, explicando que a “opção fundamental de Jesus é uma relação de dupla via: a relação com Deus e a relação com o ser humano”. “Ou a minha opção cristã faz de mim um homem ou mulher melhor ou então não presta e Deus não a quer. Ou a minha opção pelo Cristianismo é fecundo do ponto de vista humano, para mim e para os outros que me rodeiam, ou então é um faz de conta”, observou o conferencista, defendendo que a opção cristã é “estéril” se não se compromete com a promoção da dignidade humana. “Os cristãos não podem continuar a pactuar com que haja cada vez mais gente remetida à condição de excedente. A luta clara e inequívoca contra a pobreza é uma das pedras de toque da credibilidade no momento presente que estamos a viver. Podemos ter as igrejas cheias, mas, se ao nosso lado, estiver alguém a morrer à fome, estamos a denegrir a imagem de Deus”, afirmou, lembrando que mesmo que não houvesse pobres os cristãos continuavam a ter a exigência da caridade, “porque esta faz parte integrante e constitutiva da opção crente”. Mais fotos, brevemente na Galeria de Imagens

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