“Mesmo havendo Deus (=mistério) e ser humano, sem a relação entre estes dois elementos, não há experiência religiosa”, explicou o teólogo, assegurando que, “quem estuda esta área da fenomenologia religiosa é capaz de encontrar testemunhos de pessoas que reconhecem a presença do mistério (=Deus), – em determinados momentos da sua vida reconhecem que há uma realidade para além deles próprios –, mas não entram em relação com ela, logo não têm experiência religiosa”. “Muitos dos que dizem que são ateus reconhecem a existência do mistério (=Deus), mas não vivem uma relação com esse mistério. Então é preciso que haja a relação para que haja verdadeira experiência religiosa”, concluiu, evidenciando que “não chega reconhecer que há algo”. “É preciso depois viver uma relação com esse algo. E para nós, cristãos, esse algo é Alguém”, complementou. O docente, que ultima a sua tese de doutoramento precisamente sobre o Fenómeno Religioso, referiu ainda que “a relação está sempre ao nível da mediação”. “Não há relação sem mediação”, clarificou, confirmando que este aspecto é “estruturante” no fenómeno religioso. “Não há experiência directa de Deus. Se alguém disser que fez uma experiência directa de Deus, aconselho-o urgentemente a ir a um psiquiatra”, afirmou, lembrando que “nem sequer com Jesus Cristo esse diálogo foi directo, mas mediado pela cultura do seu tempo”.