O sacerdote introduziu o momento de Lectio Divina, dando algumas noções explicativas acerca desta praxis cristã da leitura da Palavra de Deus, à qual se seguiu a Lectio Divina propriamente dita, tendo estes dois grupos se debruçado sobre o texto evangélico de Mt 17,1-13, que narra a Transfiguração do Senhor. Para o padre Carlos de Aquino, o encontro “foi muito interessante, começando pelo próprio texto bíblico que é significativo no que respeita à descoberta da identidade de Jesus e da própria identidade cristã”. Considerou ainda o sacerdote que “foi uma experiência de oração”. “Rezou-se e as pessoas partilharam e isso, no meu ponto de vista, é muito significativo, pois é muitas vezes este o défice das experiências de grupo”, sublinhou. Acerca dos participantes disse sentir que “estavam disponíveis para escutar a Palavra e rezar”. “Notei que as pessoas estavam ali para uma experiência de oração e não para qualquer outra coisa”, concluiu. O segundo conjunto de dois encontros teve lugar no dia 3 de Julho, tendo sido orientados pelo padre Pedro Manuel. Começando também por fazer uma breve nota explicativa acerca da Lectio Divina e dos seus passos, prosseguiu convidando os grupos a reflectirem sobre o texto evangélico de Mc 3,13-18 que narra o chamamento dos discípulos. Estes encontros que tiveram o objectivo de dar a conhecer e despertar nas pessoas o gosto por esta prática antiga que o Cristianismo usou para rezar e pôr em prática no concreto da sua vida a Palavra de Deus. “Raramente nos reunimos para rezar só à volta da Sagrada Escritura e neste encontro foi o que aconteceu”, constatou. Para o sacerdote, a Lectio Divina é comparável à chuva que, “ao cair na terra, se for com muita intensidade, torna-a empapada, mas se for branda e serena, purifica e vai até ao fundo, fazendo brotar”. O padre Pedro Manuel lembrou ainda que “a vida do cristão não pode estar desfasada da sua oração”. “Da oração e da contemplação nasce, naturalmente, a acção”, afirmou. Para as pessoas que têm participado nestes encontros, a Lectio Divina tem se revelado como muito positiva. “Há muito tempo que não tinha uma experiência destas, de meditar sobre a Palavra de Deus em grupo. É algo de que me desabituei, porque habituei-me a ler e a meditar sozinha. É evidente que nunca é tão enriquecedor”, reconhece. Mas a meditação da Palavra de Deus também tem chegado ao concreto das suas vidas, como testemunhou Florentino. “Tenho sentido que na minha vida íntima familiar tem havido benefícios desde que comecei, há 15 meses, nesta caminhada. Tenho-me sentido diferente e espero que Deus me ajude a continuar a obter mais resultados”, destacou. Aldina Silva, testemunha um confronto interior motivado pela Lectio Divina. “Deus chamou aqueles que quis e também me chama a mim, com as minhas limitações. Tenho dado o que posso e agora sou interpelada a permanecer ao serviço da comunidade cristã”, refere. É de relevar nestes encontros de Lectio Divina participaram cerca de 150 pessoas. Esta semana vão continuam a realizar-se os restantes encontros da Lectio Divina. Os dois primeiros aconteceram já na última terça-feira, orientados pelo padre Flávio Martins, e hoje, dia 10 de Julho, têm lugar os restantes dois, pelas 18.30h e 21.30h, orientado pelo padre Joel Pires. A Lectio Divina é uma forma aprofundada de oração, a partir da leitura da Sagrada Escritura, que exige disponibilidade de tempo e de espírito. A sua proveniência encontra-se nos mosteiros, promovida por grandes mestres da espiritualidade, como Sto Agostinho, S. Jerónimo, S. Gregório Magno e outros. Floresceu até à Idade Média. Com o gosto da especulação teológica resfriou nos conventos a sua prática e, por altura da Contra-Reforma, quase desapareceu, pelos temores, na Igreja, do livre exame da Bíblia, praticado pelos protestantes. Reacendeu-se o interesse por ela em meados do século XX, sobretudo com a renovação gerada pelo Concílio Vaticano II, que, na Constituição Dogmática Dei Verbum (n. 25), recomenda a leitura assídua da Escritura em clima de oração. A Lectio Divina inicia-se, como toda a oração, pela preparação do ambiente exterior e interior, avivando a fé e invocando o Espírito Santo: lê-se, em primeiro lugar, a sós ou em grupo, uma passagem do Escritura, eventualmente introduzida ou explicada por um moderador (LECTIO); segue-se um tempo de meditação, que é um aprofundamento do sentido do que se leu, apelando à inteligência, à memória, à imaginação e ao desejo, eventualmente com a partilha da palavra (MEDITATIO); à medida que se vai escutando o que Deus diz, o fiel responde com a oração, que pode ser de arrependimento, de acção de graças, de intercessão, de súplica ou de louvor (ORATIO); na medida da graça do Espírito Santo, esta oração desabrocha em saborosos momentos de contemplação (CONTEMPLATIO), que tornam mais viva e íntima a comunhão com Deus, e predispõe a alma para uma vida mais santa e mais activa na realização do Reino de Deus (ACTIO). Veja as fotos da exposição na Galeria de Imagens