O local este ano será o Chimoio, uma povoação no interior Centro de Moçambique, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com o Zimbabué, o mesmo onde esteve no primeiro ano em aquando da primeira experiência missionária. Lígia Gonçalves irá trabalhar num lar de órfãos, instituição que acolhe cerca de 80 crianças, a maior parte das quais órfãs de pais que morreram vítimas de SIDA. “São miúdos que vivem mesmo sozinhos e têm apenas uma única pessoa que toma conta deles e lhes dá comida uma vez por dia”, explica a missionária algarvia, complementando que “para além de fazer trabalhos sociais e pedagógicos também é importante levar dinheiro para poder ajudá-los noutras necessidades”. O professora de EMRC, que considera ter “contagiado” os seus alunos com o “bicho” de Moçambique, elucida como consegue angariar os fundos necessários à ajuda do povo moçambicano. “Este ano, por exemplo, tivemos a ideia de vir vender panquecas para o Dia de EMRC do 5º e 6º ano e ele mobilizaram-se”, testemunha, acrescentando que “um arranjou o fogão, outro o gás e outro os ingredientes”. A especialidade de massa de ovos, farinha e leite acabou por ter mesmo muita procura naquela jornada de celebração da disciplina. Ao longo destes últimos cinco anos, Lígia Gonçalves tem trabalhado com comunidades, crianças, muitas órfãs, e estudantes jovens. “Fazemos trabalho social, estamos com as pessoas, fazemos catequese, e sobretudo, com os miúdos mais abandonados, inventam-se formas de os promover humanamente e socialmente e de criar laços com eles”, salienta. “Para mim é muito importante, quando estou cá, manter contacto todas as semanas com aqueles com quem estive em Moçambique. Mando-lhes envelopes com medicamentos, vitaminas, sacos de passas de uva, entre outras coisas e este contacto é importante porque eles sentem que continuamos com eles”, acrescenta. Primeiramente seguia para Moçambique integrada nas Missões Franciscanas, mas ultimamente até já começa a estabelecer os contactos por sua iniciativa. Lígia Gonçalves garante que tira partido das férias de outra forma. “É aproveitar o tempo de férias para fazer algo que me dá muita alegria e que é muito gratificante”, reconhece, garantindo que o envolvimento da família é muito importante. “O marido e os filhos são os meus ajudantes cá para que eu possa ir descansada”, reconhece. Das quatro missões já realizadas, duas decorreram com a companhia de outra missionária e duas sozinha. Este ano ainda não tem a certeza se irá ou não acompanhada.