Por isso, hoje, em espírito de oração, vamos a acompanhar o Senhor Jesus pelos diversos locais que testemunharam os padecimentos sofridos na Sua Paixão e condenação à Morte, e atentar também nas personagens e intervenientes neste misterioso Drama que teve início na Quinta-Feira Santa, em Getsémani, no Monte das Oliveiras. Ali, prostrado em oração, vemos Jesus em agonia, a suar sangue e a suplicar ao Pai que O afaste daquela angústia mortal provocada pelos pecados dos homens de todos os tempos… Contudo, apesar de toda aquela amargura, abandona-Se e entrega-Se à vontade do Pai… Entretanto, aproxima-se Judas à frente de uma turbamulta com armas e archotes. Jesus é preso, manietado e conduzido perante dois principais intervenientes, os sumos sacerdotes Anãs e Caifás que, juntamente com o Sinédrio, constituem o tribunal judaico que condena Jesus… De seguida, outro personagem emerge tímido e assustado, no pátio do sumo sacerdote, é um dos amigos íntimos de Jesus – Simão Pedro que, por três vezes o nega. Porém, caindo na conta do seu acto, logo se arrependeu e amargamente chora contrito o seu pecado. Neste entrementes, arrastam Jesus do tribunal judaico para o tribunal romano a que preside o representante de César, o cobarde governador Pôncio Pilatos que, apesar de covencido da inocência de Jesus, cede às exigências da multidão acicatada pelas autoridades judaicas que pede, por um lado, a libertação de Barrabás, famoso salteador, e, pelos outro, a condenação à morte de Jesus. De passagem surge-nos outra figura sinistra, o velho Herodes que mofa e zomba de Jesus… O drama precipita-se, Jesus é devolvido a Pilatos e no Pretório do palácio do governador é escarnecido e humilhado pela soldadesca romana. Condenado à crucifixão e já combalido pelos sofrimentos da noite, Jesus inicia a Sua Via Sacra a caminho do Calvário ou Gólgota. Podemos vê-Lo a arrastar-se debilitado sob o peso do madeiro de onde seria suspenso… Já quase nos limites da Sua resistência física, Jesus é ajudado por um homem – Simão de Cirene que carrega a Cruz de Jesus… Chegado ao Calvário, Jesus é crucificado entre dois malfeitores. Ali, suspenso do patíbulo, é escarnecido, alvo de chacota não só dos que passam como até de um dos salteadores que O injuria, enquanto que o outro o repreende e ao mesmo tempo se volta para Jesus suplicando-lhe: "Senhor lembra-te de mim quando estiveres no Teu reino." E Jesus, num olhar cheio de ternura responde-lhe: "Hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso…" No mesmo cenário, junto à Cruz, de pé, emerge a figura dolorosa da Virgem Santíssima acompanhada das Santas mulheres, Maria de Magdala, Maria, Mãe de Tiago e de José, a mãe dos filhos de Zebedeu e o discípulo que Ele amava. Ao ver Sua Mãe e o discípulo amado, Jesus, em agonia, faz como que o Seu testamento dizendo: "Mulher eis aí o teu filho" e ao discípulo: "Eis aí a tua mãe". É de salientar também o centurião romano que, admirado como Jesus expirou, confessa: "Este era verdadeiramente o Filho de Deus". Finalmente, temos que registar duas corajosas figuras – José de Arimateia e Nicodemos que, após a morte de Jesus, pediram a Pilatos o corpo do Senhor, dando-Lhe digna sepultura, em jazigo novo…