1 – A família continua a ser a base do equilíbrio da sociedade e o principal factor de estabilidade e esperança e nenhuma crise pode ofuscar a beleza das famílias que apoiadas pela força sacramental do Matrimónio, vivem o mistério do amor, alicerçadas na fidelidade e generosas no serviço da vida. Porém, não se podem ignorar os problemas e os perigos que ameaçam a estabilidade das famílias. Mesmo que muitas famílias não estejam em crise, a cultura contemporânea provocou uma crise “ambiental” da instituição familiar. 2 – A época moderna troxe ao homem a consciência da sua individualidade, o que se por si é positivo, conduziu no entanto ao individualismo egocêntrico e egoísta. 3 – Fortemente marcada pelo egoísmo/egocentrismo, a cultura do nosso tempo apresenta sinais de preocupante degradação relativamente a valores fundamentais: a) É uma cultura do provisório, que prefere o efémero ao perene com a marca de eternidade; b) É uma cultura do prazer, que apresenta o amor e a sexualidade como objecto de consumo imediato e descomprometido; c) É uma cultura do consumo e do bem estar material, criadora de falsas, inúteis e ilusórias necessidades; d) É uma cultura da facilidade, que evita tudo o que exige esforço e sacrifício, produzindo pessoas incapazes de lutarem por objectivos exigentes; e) É uma cultura do indivíduo, que sublinha fortemente os direitos do indíviduo em detrimento da família como Comunidade de vida e de amor; f) É uma cultura da irresponsabilidade que relativiza princípios éticos; g) É uma cultura de morte, que desvaloriza a vida humana e que aceita levianamente que lógicas utilitaristas e materialistas se sobreponham aos direitos das crianças não nascidas, dos débeis, dos doentes e dos idosos. h) É uma cultura mediatizada, pelos meios de comunicação social que abafam os ritmos e o descernimentos familiares. Além disto que já não seria pouco, à família actual deparam-se dificuldades resultantes das estruturas sociais, nomeadamente a especulação imobiliária que encareceu o preço da habitação, o que dificulta a obtenção de casa, sobretudo por parte de casais jovens, e está na origem de alguns efeitos negativos para a família como sejam o atraso na idade para contrair matrimónio;a redução ao mínimo do número de filhos;a residência em locais demasiado afastados do local de trabalho e consequente diminuição do tempo disponível para o encontro e convívio familiar; redução do espaço das casas, com efeitos no número de filhos e na presença dos idosos; zonas urbanas sem infraestruturas sociais, de convívio e lazer; 5 – O desemprego e o trabalho precário constituem uma das mais sérias ameaças à família. Ao trazerem instabilidade , insegurança e desconfiança em relação ao futuro, destroem a harmonia e a paz familiar. O desemprego é ainda responsável pelo endividamento das famílias, por situações de frustração, miséria e dependência, violência, prostituição, alcoolismo, delinquência e desiquilíbrio. Por outro lado o sistema fiscal apresenta-se desfavorável à promoção da família, desencorajando a natalidade e penalizando as famílias numerosas . 7 – A pouca protecção à maternidade pode significar a renuncia à maternidade por parte de muitas mulheres ou a redução ao mínimo do número de filhos.