De novo, os portugueses e portuguesas serão confrontados com outro referendo sobre o aborto, pois os seus promotores e defensores repetirão, vezes sem conta, se for preciso, este plebiscito para alcançarem o que realmente querem. Desta fez, sente-se ainda maior mobilização e empenho de várias forças políticas que vão multiplicar esforços para persuadirem os eleitores e contribuir para oficializar a "matança". Sofisticamente querem fazer sentir às pessoas que a não aceitação do aborto é apenas um problema de consciência religiosa. Confundir as pessoas fazendo lhes sentir que a não aceitação do aborto é apenas uma gestão do foro da consciência, esquecendo a ética que fundamenta o respeito pela vida em todos os seus estádios, é, repetimos, um autêntico e grosseiro sofisma. A este respeito, é bom recordar o saudoso João Paulo II que sempre foi tão sensível aos problemas de todos e também das mu-lheres que se colocam em "situação difícil", classificou de "nova bárbarie" à falta de respeito pela vida, em qualquer momentos da mesma vida. Parece que nesta matéria, os países de Leste podem dar lições ao Ocidente. Talvez porque enfrentam a morte e o sofrimento durante 50 anos, aprenderam a respeitar a vida… Porém, nós outros, os ocidentais, a pretexto de uma "falsa" democracia usamos e abusamos do direito à vida. Exemplos bem gritantes aí os temos, desde o aborto passando pelas drogas até à destruição dos ecossistemas. Com tudo isto e sem alarmismos, estou a crer que a nossa civilização está a matar-se. Pelos menos, oxalá que sejam gorados todos os esforços que os defensores da morte vão fazer e já começaram em campanhas bem organizadas, não esquecendo as camuflagens e as omissões.