Depois de aceso o Círio da Paz, que por sua vez passou a chama às velas e fotóforos adquiridos pelas pessoas presentes, iniciou-se a caminhada silenciosa, encabeçada por uma faixa com a inscrição Paz, desde o Jardim das Figuras até à Sé. Depois da subida, a manifestação pacífica deteve-se diante da escadaria principal da antiga Catedral algarvia onde, através de vários fotóforos acesos, estava escrita a palavra Paz a iluminar um presépio de imagens moldadas em serapilheira. Já no mais significativo exemplar do gótico algarvio, ainda a aguardar intervenção de restauro, a noite de prece pela Paz mundial teve continuidade com a intervenção do presidente da Caritas Diocesana do Algarve. Carlos Oliveira começou por explicar o propósito da noite. “Quisemos publicamente manifestar que a Paz e a Solidariedade são possíveis de alcançar se para tal prepararmos o nosso coração e comunicarmos aos outros este nosso sentimento de alegria”, justificou. Aquele responsável lembrou então que “a Paz não é só a ausência de guerra”. “Paz é garantir que a vida humana nasça, cresça e se desenvolva num ambiente onde não seja violentada. Paz é ajudar quem está em desespero por causa do desemprego. Paz é quando contribuímos para que o pão não falte aos mais carenciados; quando evitamos maltratar que tem uma saúde débil; quando acolhemos o outro que vive na miséria manifestada de várias formas, como os sem-abrigo; quando abrimos novos horizontes para a juventude que caiu no mundo das drogas e/ou do álcool; quando procuramos evitar a violência em casa e nas ruas; quando visitamos os presos, levando-lhes uma mensagem de esperança; quando acolhemos o sorriso de uma criança, muitas vezes vítima de preconceitos; quando me respeito a mim e ao outro, à natureza e mantenho as relações essenciais que contribuem para a construção de cada pessoa e da sociedade”, frisou Carlos Oliveira. O presidente da Caritas algarvia definiu ainda que “Paz é criança brincando e que se alimenta bem, que estuda. Paz é quando as pessoas se respeitam e são respeitadas; quando as famílias têm tranquilidade no lar; quando o trabalhador tem o seu salário digno sem temer humilhação; quando os idosos se sentem bem acolhidos e não rejeitados ou abandonados; quando cada pessoa serve a comunidade e por ela é respeitada”. Carlos Oliveira justificou todas as suas definições “porque a Paz verdadeira é fruto do amor e da justiça, é conquista, é um dom oferecido por Deus”. Procurando informar sobre o destino dos fundos angariados este ano com a venda de velas e fotóforos, acrescentou à Paz um outro valor igualmente importante: Solidariedade. “Parte da receita das vendas irá para Angola, apoiar a mulher em situação de risco, através do projecto de promoção e inserção profissional da mãe solteira. E na nossa diocese, no nosso Algarve, contribuirá para ajudar a construir o Lar da Mãe, para que, com dignidade, possa acolher mães grávidas e os seus futuros filhos em situação de risco, dando a estes um berço digno no início da sua vida”, informou. Aos presentes exortou a abrirem o coração e a darem as mãos para “construir a Paz e a Solidariedade”. Intercalando com a actuação da Banda da Filarmónica de Silves, que brindou a assembleia com alguns temas que fizeram a banda sonora de alguns dos mais conhecidos filmes da história do cinema mundial e de outros clássicos, assim como de temas natalícios, e do Coral da Filarmónica de Silves, que também interpretou cânticos contextualizados com a época, as intervenções das entidades presentes sucederam-se. Isabel Soares lembrou que “este mundo precisa de mais Paz”. “É preciso ajudar as mulheres que precisam ter os seus filhos com tranquilidade, paz e amor. Que haja a possibilidade de lhes dar pão e um lar”, desejou a presidente da Câmara de Silves. Procurando interpelar os presentes, a autarca apelou à reflexão. “O que lhes peço é que reflictam e pensem em quanto esbanjamento temos nas nossas casas nestas alturas. Quem sabe se um pouco daquilo que temos a mais, ou mesmo daquilo que não sendo a mais, possamos deixar para dar a outros. Pensemos naqueles que precisam muito mais do que nós que aqui estamos”, pediu. Após a declamação de um poema da autoria da saudosa Sofia de Melo Breyner Andresen, D. Manuel Quintas alertou para a necessidade da vivência da quadra natalícia com simplicidade. “São gestos simples que caem fundo no nosso coração, e que nos ajudam a parar um pouco e a pensar e a ver como é importante a Paz, como é importante o Príncipe da Paz, como é importante o Natal celebrado com esta simplicidade, sem tanto stresse, sem tanto consumismo, sem tantos presentes que às vezes são mais por descarga de consciência”, afirmou o Bispo do Algarve, acrescentando que “o verdadeiro presente é Aquele que Deus nos dá”. “O verdadeiro presente somos nós uns para os outros, sobretudo quando nos unimos em gestos simples que procuram traduzir este valor que é a Paz”, complementou, acrescentando que “só juntos é que conseguimos ser construtores de Paz”. Matriz de Portimão A paróquia de Nossa Senhora da Conceição, a matriz de Portimão, também aderiu à iniciativa inclusivamente com a aquisição de velas e fotóforos. No sábado, pelas 19 horas, no adro da igreja foi feita uma evocação à Paz com a leitura de textos e poemas alusivos ao tema. A iniciativa contou com a colaboração do coro juvenil da paróquia e com a participação de alguns professores da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes. Boliqueime Em Boliqueime, no mesmo dia, pelas 20.30 horas, o adro da igreja foi preenchido com a presença de algumas dezenas de pessoas que fizeram a sua oração sobre a Paz e adquiriram as velas para acenderem simbolicamente no próximo dia 24. Luz de Lagos Também a paróquia da Luz de Lagos realizou uma celebração pela Paz no passado sábado pelas 19.30 horas. A iniciativa que se repete desde a primeira edição decorreu este ano na aldeia de Espiche, integrando o programa da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima àquela comunidade da paróquia da Luz de Lagos. Através da música, da poesia e de uma apresentação projectada gritou-se, cantou-se e celebrou-se a Paz. Em procissão para a capela cantou-se a Maria um canto de Paz: “Rainha dos Céus, faz com que a guerra se acabe na terra e haja entre os homens a Paz de Jesus”. Cachopo A paróquia de Cachopo também irá aderir a esta iniciativa. A acção realiza-se dia 20, com a caminhada a partir da sede da Caritas Paroquial até à igreja, terminando com um concerto do grupo coral paroquial. Mais fotos na Galeria de Imagens