Refiro-me aos detentores dessa corrente da inteligência humana que se batem por querer convencer a trupe de mentecaptos, os puristas e os hipócritas como tanto gostam de classificar (talvez por falta de coragem para assumir publicamente outras qualificações), que é desta – se passar a proposta de Lei que fará de nós (uns mais que outros!) seres civilizados – que será erradicada a clandestinidade do Portugal profundo. Sim, porque quem recorre ao motivo exclusivo da nossa “vergonha” nacional não o fez, faz, nem fará a partir das 10 semanas de gestação! Não! A clandestinidade só existe até àquele período! E mesmo dentro daquele espaço de tempo, todas as mulheres que agora são empurradas, por tantas condicionantes para a clandestinidade, deixarão de o ser! Sim! Entraremos numa nova fase da "dignidade" humana… querem-nos fazer crer. São estes os senhores, – sabemos nós muito bem oriundos de que quadrantes -, que nos dão motivos para intensificarmos a nossa caridade (manifestação de amor para com o mais próximo), quando caem no ridículo de insinuar, chegando mesmo por vezes a afirmar, que nos últimos oito anos nada foi feito por quem defendeu e volta agora a defender uma posição contrária à sua, a posição de quem sabe, por via da experiência concreta, que é perfeitamente possível resgatar um final feliz para este drama, que acaba por se transformar numa história bonita. De Vida! Naturalmente que é intencional esta hilariante estratégia. Trata-se de uma manobra (no caso, verdadeiramente de diversão – o termo assenta que nem uma luva!) para distrair aqueles que possam, por ventura, estar mais desatentos à realidade concreta que nos rodeia e que, por qualquer razão (difícil de conceber), não se tenham apercebido da obra empreendida, de norte a sul do País, em torno do apoio à maternidade, antes e depois do nascimento. Largas dezenas de instituições ou mesmo pessoas particulares (vem-me à memória o saudoso padre Jerónimo Gomes) que terão apoiado milhares de casos que se assim não fora, teriam terminado da forma mais dramática. Sobre a real motivação interior que move estes senhores nem uma palavra. Deixo isso à reflexão de cada um dos nossos leitores.