À chegada à sede da paróquia, a maioria dos fiéis não conseguiu ter lugar dentro da igreja, permanecendo no largo onde puderam contemplar o colorido tapete de flores concebido para a passagem do cortejo processional. A esse facto se referiu o pároco no início da celebração mariana de acolhimento. “Está mais gente na rua do que cá dentro”, constatou, enviando um abraço à multidão que permanecia que no exterior. O padre Carlos César Chantre lembrou então que “para que Jesus nascesse foi necessário eleger entre as mulheres uma que pudesse desenvolver no seu ventre o Filho unigénito de Deus”. “Foi necessário, na espécie humana, eleger uma Senhora, muito simples e maravilhosa, de nome Maria”, observou, salientando que todos os títulos atribuídos a Nossa Senhora são dados pelos homens. “Ela é simplesmente a Mãe de Jesus. Não tem mais título nenhum”, frisou, explicando que, “por causa da sua grandeza, não conseguimos ficar só por Maria e então atribuímos, de acordo com o nosso código, os diversos títulos”. “É a Senhora de Lourdes, é a Senhora das Dores, é a Senhora da Esperança, é a Senhora da Luz, é a Senhora da Saúde, é a Senhora da Candelária, é a Senhora dos Remédios, é a Senhora da Graça, é a Senhora do Sameiro. Títulos e mais títulos só para dizer: Maria, a Mãe de Jesus”, referiu. O prior de Boliqueime, Ferreiras e Paderne lembrou que, “por felicidade inconcebível, também Portugal foi bafejado pela presença de Maria” quando já tinha na sua história um outro “título grandioso”: Maria, a Senhora da Conceição, a Rainha de Portugal. “Bem pensou D. João IV quando entregou a coroa do País a Maria e Portugal, além da sua padroeira nacional, a sua Rainha inquestionável, foi abençoado em 1917 numa terriola «não existente» na qual Maria resolveu aparecer com o titulo de Fátima, a Senhora da Cova da Iria, a Senhora do Rosário”, complementou. À numerosa assembleia presente em que se incluiu o presidente da Câmara de Albufeira, Desidério Silva, destacou o facto de Nossa Senhora de Fátima não ter aparecido nem ao Papa, nem aos Bispos, nem aos padres, nem aos reis, príncipes, princesas ou aos donos do mundo. “Apareceu espantosamente a três crianças que ainda por cima não eram filhas de reis. Três pobres crianças que ficaram atormentadas com semelhante luz”, acrescentou, considerando que “foi a inocência das crianças que fez com que percebessem que estavam na presença de algo que não podiam justificar, mas que era algo de bom, algo de Deus. E foi a essa Senhora de Fátima que os portugueses se deram”. Citando um escritor português que afirmou que “os portugueses deram novos mundos ao mundo”, o pároco das Ferreiras lembrou que “outros portugueses deram depois Fátima ao Mundo”. “Por isso, o Cardeal Cerejeira em bom tempo proclamou Fátima como o altar do mundo, o que fez tremer Moscovo, Pequim e os países de Leste e desbaratou os intelectuais que não entendiam nada do que estava a acontecer”, recordou, referindo-se ao segredo de Fátima. “Anos mais tarde, viemos a entender a profecia de Fátima. De facto, o Muro de Berlim caiu, a União Soviética caiu, os ditadores vão caindo, a Paz vai existindo mesmo quando o demónio continua a querer a guerra entre os povos. E o demónio vai vencendo, aqui e acolá, mas não há-de vencer no fim, porque Jesus disse: «O Espírito Santo virá sobre vós e nada do Inferno há-de vos abalar. O Espírito de Deus vos acompanhará até ao fim dos tempos»”, afirmou. Num apelo à esperança, citou o pedido do Papa João Paulo II: “escancarai as portas do coração. Abri-as de par em par e afugentai o demónio, porque as trevas existem, mas a luz é mais forte que as trevas”. Congratulando-se com o testemunho público de fé exteriorizado pelos cristãos das suas paróquias, advertiu: “venham os mandarilhos, os mandantes e os comandantes, mas a nossa fé é só em Jesus Cristo”. Às muitas crianças presentes desejou “que cresçam com esta força em Jesus Cristo”. “E acreditem sempre que, pela Nossa Senhora de Fátima, havemos de lá chegar”, concluiu. A celebração de acolhimento teve continuidade com a intervenção de um grupo dos Arautos do Evangelho que interpretou alguns cânticos em latim. A imagem mariana, depois de cumprir o programa de visita a freguesia de Ferreiras, será agora entregue à paróquia de Albufeira no próximo sábado pelas 19.30 horas. Mais fotos na Galeria de Imagens