Após a Festa Pequena, que teve lugar no Domingo de Páscoa com a descida do cerro da imagem de Nossa Senhora em direcção à igreja de São Francisco onde permaneceu até Domingo, foi então tempo de cumprir-se a segunda parte deste testemunho de fé que data do século XVI. Após o adeus da padroeira à sua terra, o andor transportando a imagem, ricamente ornamentada, de Maria com Jesus nos braços, depois de descido da cruz, regressou agora ao Santuário implantado sobre a colina sombranceira à cidade. Por entre ovações e vozes que fazem entoar, um pouco por toda a parte, o grito de "viva a Mãe Soberana", os oito homens vestidos de calças e opas brancas que carregaram o andor, subiram o íngreme cerro em marcha acelerada enquanto os populares, uns limitaram-se a acenar com lenços ao passar da imagem e outros (aqueles em melhor condição fisica) esforçaram-se por acompanhar o cortejo. Após a saída da igreja de São Francisco, onde foi celebrada a Eucaristia pelas 10 horas, a procissão percorreu as ruas do centro de Loulé, ao ritmo de marchas executadas por bandas de música, nomeadamente o centenário Hino da Mãe Soberana. No espaço circundante ao edifício erguido em memória de Duarte Pacheco, na estrutura de apoio instalada para o efeito foi celebrada pelas 11.30 horas a Eucaristia dedicada a crianças e jovens. À tarde, pelas 16 horas, tem lugar um dos momentos altos das festividades com a celebração da Eucaristia presidida pelo Bispo do Algarve. D. Manuel Quintas, na sua homilia, explicou que "Nossa Senhora é soberana porque participa da soberania de Cristo, da sua doação ao Pai e a toda a humanidade". "É por isso que lhe chamamos também co-redentora", complementou. Destacando a Mãe Soberana como "testemunho de que sabe escutar com fé e com toda a disponibilidade interior a Palavra de Deus" e como "modelo de quem pratica, põe em prática e assume na sua vida essa mesma Palavra", o Bispo diocesano explicou que para "acolher Maria como nossa Mãe" é preciso "ser discípulo amado de Jesus". "Quanto mais parecidos formos com Jesus, mais vivemos intensamente a maternidade de Maria como Mãe de Jesus e nossa Mãe", referiu o Prelado, exortando os fiéis a acolher as palavras de Maria nas Bodas de Caná – "Fazei o que Ele vos disser". "Fazemos o que Ele disse quando vivemos como Ele viveu", justificou, lembrando aos presentes que "não tem sentido virmos participar nesta festa se Maria não faz parte da nossa vida nos restantes dias do ano". A procissão, à qual D. Manuel Quintas que não pôde presidir por ter de se ausentar, fez uma pequena pausa na igreja de São Francisco antes de ter início a subida final ao santuário. Já no adro da pequena ermida, erguida a poente, coube ao padre Sezinando Alberto, reitor do Santuário do Cristo Rei, em Almada, proferir o inflamado discurso de acção de graças a Deus pela padroeira de Loulé, tendo as festividades contado com a participação de diversos sacerdotes da vigararia de Loulé/São Brás de Alportel e não só.