Durante o voo entre Roma e Praga, o Papa conversou com os jornalistas e um desses jornalistas, partindo desta realidade estatística questionou-o sobre o facto de a República Checa ser "um país sumamente secularizado onde a Igreja Católica é uma minoria". Em resposta à pertinente questão, Bento XVI declarou que "normalmente as minorias criativas determinam o futuro e, neste sentido, a Igreja Católica deve compreender-se como minoria criativa que tem uma herança de valores que não são algo do passado, mas uma realidade muita viva e actual". Estas palavras do Santo Padre são de uma actualidade evidente, não só para a República Checa como também para toda a Europa, mesmo para países como o nosso, onde enormes maiorias se declaram católicas, mas que na verdade vivem na prática como não o sendo, indiferentes aos valores do Evangelho, pelo menos indiferentes a alguns valores evangélicos. Por exemplo, segundo um recente estudo apresentado no Conselho das Conferências Episcopais da Europa que teve lugar em França na semana passada, em países tidos como muito católicos como a Polónia e Portugal, consta-se que em questões sobre bioética, família e sexualidade, as posições da Igreja ou são ignoradas ou são combatidas, mas já sobre questões sociais, tal como os direitos humanos, solidariedade e desenvolvimento, as posições da Igreja são apreciadas e valorizadas. Neste cenário o Santo Padre defende que "a Igreja deve estar presente no debate público, lutando por um autêntico conceito de liberdade e de paz". Para Bento XVI a participação da Igreja nesse diálogo deverá acontecer em três diferentes patamares: intelectual, educativo e caritativo, níveis onde a Igreja habitualmente desenvolve as suas iniciativas. Ao caracterizar o primeiro nível, o Papa destacou o "diálogo intelectual" com os agnósticos. Já quanto à educação, considera o papa que " a Igreja tem muito que fazer e dar, no que se refere à formação". Essa é a nosso ver, a pedra de toque essencial da acção da Igreja, onde muito se tem investido e proporcionalmente pouco se tem recolhido. Pensemos na catequese que transmitimos às novas gerações, na catequese dos adultos, mas também no ensino que ministramos nas escolas, principalmente nas escolas católicas, desde os jardins-de-infância às Universidades Católicas. Será que nessas escolas é transmitida uma verdadeira mundividência cristã? E como é que tal é possível quando os educadores não são cristãos? Ao falar do nível da caridade, Bento XVI recordou que "a Igreja sempre teve como sinal da sua identidade sair em ajuda dos pobres, ser instrumento de caridade", exemplificando com o trabalho da Caritas. Sim! A Igreja deve assumir-se na Europa como uma "minoria criativa", capaz de influenciar positivamente a sociedade. Porém, para tal diálogo criativo, faz falta, como bem concluíram os bispos no Conselho das Conferências Episcopais da Europa, "uma elite católica, capaz de intervir politica e socialmente". Para criar essa elite é que andamos há muitos anos a apostar na Escola Católica. O que é que tem falhado? O que é que tem de ser mudado ou melhorado?