Acompanhados pela animadora Paula Canário e pelo padre frei José Quintã, assistente do grupo, os sete jovens pertencentes ao grupo ‘Sóis de Bênção’ de cerca de 19 elementos, chegaram pela manhã à Serra algarvia com vontade de fazer algo em prol daqueles que mais precisam. Com uma população maioritariamente idosa, Martinlongo e Vaqueiros, têm muito trabalho ao nível do apoio social em que os franciscanos poderão ser úteis. Para além deste, com os poucos jovens que ali habitavam a serem obrigados a sair da terra para puderem completar os estudos, as duas paróquias necessitam igualmente de quem queira contribuir no trabalho pastoral. A ideia de realizarem missões surgiu no seio da JUFRA já há algum tempo. “Achávamos necessário fazer este tipo de coisas para o grupo crescer”, explica Paula Canário. Depois de, durante dois anos consecutivos, terem feito uma experiência de trabalho durante uma semana no Centro de Deficientes Santo Estêvão, em Viseu, instituição que acolhe jovens e adultos, portadores de deficiência profunda, e também em Mértola no lar de idosos local, os jovens franciscanos quiseram agora trabalhar na sua própria diocese, também por entenderem ser-lhes possível dessa forma dar uma maior continuidade ao trabalho para que não aconteça apenas uma vez por acaso. “É preferível começar mais próximo de casa porque a distância é menor e há mais recursos”, justifica o frei José Quintã. De visita ao Nordeste algarvio, aquando da passagem da Cruz de São Damião pela diocese algarvia, os membros da JUFRA recordam o convite deixado pela comunidade local das irmãs Franciscanas Missionárias de Maria (FMM) para que ali voltassem. Com a vinda do frei José Quintã este ano para a diocese algarvia a proposta tomou forma, acabando por ser apresentada ao pároco local. “O padre Atalívio Rito aceitou de imediato a nossa proposta apresentada pelo frei José Quintã”, recorda Paula Canário. Alojados na casa paroquial, o grupo de jovens, composto por cinco algarvios e por dois estrangeiros a estudar no Algarve, o Martin Lassen, natural de Copenhaga, na Dinamarca, e a Ramila Furtado, oriunda de Goa, na Índia, aproveitaram o primeiro fim-de-semana para conhecer os primeiros montes que irão visitar e para serem apresentados às comunidades locais. No decurso da Eucaristia que animaram na tarde de sábado no Pessegueiro, o frei José Quintã explicou o sentido da missão franciscana. “Vimos partilhar a riqueza do amor que vimos tentando construir. Vir até aqui, junto de vós, é também uma possibilidade de mostrarmos que a mensagem de Cristo, a Palavra de Deus e a comunhão fraterna entre os irmãos é para ser vivida e partilhada”, explicou o presidente da celebração. “Viemos também para estar convosco, por isso temos de nos encaixar na vossa vida diária e de trabalho. Vimos partilhar o que trazemos, do nosso tempo e disponibilidade, da nossa força e alegria”, complementou o jovem sacerdote. A irmã Maria do Rosário Cunha, da comunidade local das FMM, assegurou à FOLHA DO DOMINGO haver muito trabalho a fazer naquelas localidades com idosos, muitos dos quais acamados. “Quem quiser dar-se aos outros, aqui tem muito por onde o fazer. Acho que vai ser um apoio importante para a paróquia”, confirmou. Marlene Brito, membro do grupo, explicou a necessidade de fazerem estas actividades. “Como o nosso grupo se reúne todas as semanas para fazermos orações ou outro tipo de actividades, sentimos muito essa necessidade de alimentar a oração com actividades práticas”, frisou. A jovem explica que todos crescem não só individualmente, mas como grupo. “Sentimo-nos mais unidos e a nossa união com estas missões passa para fora e as pessoas vêem-nos mais felizes e acabamos por contagiar os outros”, referiu. Também Paulo Lima, outros dos membros da JUFRA algarvia, confirmou a importância destas actividades. “Com a oração o nosso coração vai-se fortificando cada vez mais e quando fazemos missões destas é que sentimos mesmo o amor das pessoas”, salientou, explicando que tenta sempre participar porque são iniciativas que o fazem “crescer muito como pessoa”. “O meu amor pelas outras pessoas vai crescer ainda mais. Não são os outros que são beneficiados, nós é que saímos enriquecidos”, conclui. Outro dos projectos da JUFRA é participar numa missão no Chimoio (Moçambique). Com vista a sua prossecução a JUFRA está a pensar fazer uma angariação de fundos para que essa vontade se concretize em 2009. Por outro lado a angariação de fundos permitirá a continuidade de missões como a do Nordeste algarvio. Para já têm a ideia de promover uma noite de fados com a participação também da Orquestra do Algarve e da Companhia de Dança do Algarve. Mais fotos na Galeria de Imagens