Tendo início no adro da igreja de São Francisco, com a recriação da Última Ceia, a dramatização dos últimos momentos da vida terrena de Jesus, cuja realização foi interrompida o ano passado, continuou no cenário do Monte das Oliveiras onde Cristo rezou e agonizou, desejando não ter de passar pela morte, momentos antes de ser traído por Judas quando o entregou aos soldados. O interrogatório do sumo sacerdote Caifás, o “julgamento” no pretório protagonizado pelo governador Pilatos, a flagelação executada pelos soldados, a ajuda do cireneu Simão para carregar a Cruz, o encontro com Verónica que limpa o rosto de Jesus, foram momentos fulcrais da Via Sacra de Cristo que não ficaram esquecidos, podendo ser vividos pela multidão que acompanhou a encenação até ao terreno do futuro Centro Paroquial de Pêra, transformado por uma noite em Gólgota, o Calvário. Particularmente significativo e pleno de emoção foi o encontro de Jesus com Maria, sua Mãe. Ao longo do percurso, o grupo coral da Igreja Adventista de Albufeira procurou ajudar a assistência a interiorizar as reflexões proclamadas que este ano foram também melhoradas. No terreno da futura infra-estrutura que irá acolher crianças e idosos de Pêra, já as duas cruzes dos salteadores se erguiam quando a multidão chegou seguindo Jesus. Cumpriu-se então ali o acontecimento maior da fé cristã: a crucificação e ressurreição de Jesus Cristo. Com recurso a efeitos sonoros e lumino-técnicos, depois de crucificado e sepultado, Jesus apareceu triunfante, ressuscitado no alto do céu, com recurso à elevação de uma grua. No final da encenação, o padre Manuel Coelho, pároco de Pêra, apelou aos presentes que vivam aquilo que ouviram e presenciaram, pedindo a Deus “coragem” para que no próximo ano a paróquia possa “fazer ainda melhor”. À comunicação social, o prior confessou que não esperava a presença de tanta gente, manifestando por isso vontade de manter aquela iniciativa. “Se calhar é uma tradição que somos obrigados a não deixar morrer”, disse. Isabel Soares, presidente da Câmara de Silves, congratulou-se com a iniciativa e lembrou os que trabalham durante o ano para que aquele espaço “deixe de ser um descampado e passe a ter ali um lar para proteger muitos daqueles que precisam de apoio”. Fernanda Nascimento, uma das muitas pessoas presentes, confessou-se comovida perante o que tinha acabado de assistir. Natural de Lisboa, afirmou nunca ter presenciado uma encenação semelhante. “Espero agora assistir todos os anos”, frisou. A iniciativa que contou com a colaboração de 150 voluntários, entre eles personagens e figurantes com idades compreendidas entre os 16 anos e os 70 anos, custou cerca de 2500 euros, cobrindo os apoios angariados o total das despesas. Mais fotos na Galeria de Imagens