FOLHA DO DOMINGO – Já tinhas estado em Taizé? José Chula – Sim, participei há dois anos na Peregrinação Diocesana presidida pelo Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas. Essa foi a segunda vez que vim a Taizé. Mas esta minha terceira vinda a Taizé foi a primeira vez como voluntário. Das outras vezes tinha ficado apenas uma semana a participar normalmente. Vieste sozinho para Taizé? Sim. Vieste na linha portuguesa de autocarros com ligação a Taizé? Sim. Veio mais ninguém do Algarve no teu autocarro? Não. Vim com um grupo de oito ou 10 jovens de Lisboa e mais alguns adultos. Porque é que resolveste vir um mês como voluntário para Taizé? É um projecto que tinha desde que vim cá pela primeira vez há três anos. Este ano achei que seria uma boa oportunidade para concretizar esse projecto. E quando é que resolveste avançar? Pensei a sério na possibilidade de realizar esta experiência quando soube que não iria haver as férias missionárias que costumam realizar-se todos os anos… Férias missionárias para os seminaristas promovidas pelo Seminário? Exactamente. E depois? Falei então com o director espiritual, com o reitor do Seminário e com a família. Como todos concordaram, vim. O que é que fizeste nestas cinco semanas? A primeira semana estive em silêncio, em retiro. Foi uma semana só para mim, em meditação, para resolver a minha vida daqui em diante. Nas restantes quatro semanas integrei-me no grupo com outros voluntários e colaborei no trabalho que me era pedido semanalmente. Mas o objectivo, ao vires para cá, foi o de definir o teu futuro em termos pessoais? Não. Decidi a viagem antes de começar a pensar que teria de definir o meu futuro e só quando cheguei cá é que pensei que tinha mesmo de resolver essa questão. Até tinha pensado em trabalhar como voluntário nas primeiras quatro semanas e na última juntar-me ao grupo de algarvios, mas acabei por decidir não o fazer para não estar a trabalhar com a preocupação de não ter ainda tomado uma decisão em relação ao futuro. Assim resolvi as questões todas e já trabalhei totalmente descansado. O que fizeste nas restantes semanas? Na segunda semana estive a organizar a distribuição do jantar e a trabalhar na Cadol que é onde são feitos todos os trabalhos práticos, como arranjos de objectos danificados. Na terceira semana estive como responsável do Ponto 5 que é o centro de coordenação de toda a gente que irá trabalhar na limpeza, principalmente das casas de banho. Nessa semana fiz também o chamado Prayer Watch Outside que é o trabalho de tentar manter o silêncio fora da igreja durante o tempo das orações. É um trabalho um bocado ingrato porque não se assiste à oração, mas é importantíssimo manter o silêncio fora da igreja nesse período. Nas duas últimas semanas estive novamente na Cadol, desta feita à tarde, e durante o resto do dia fiquei responsável pela casa onde se alojam os rapazes que estão em silêncio com eu estive na primeira semana. Colaborei na gestão e coordenação da casa, incluindo o serviço das refeições. Qual a semana que mais gostaste? Responder a essa pergunta não é fácil… Gostei muito da segunda semana em que estive a trabalhar na coordenação da cozinha e da equipa que colaborou comigo. Em termos de relacionamento com as pessoas, a semana que gostei mais foi talvez a última, também porque já conhecia melhor os outros voluntários com que convivia todos os dias. Também por ser a semana em que já estava cá o grupo do Algarve, com pessoas que já conhecia, essa foi uma excelente semana. A nível espiritual, a melhor semana foi a primeira. A avaliação que fazes é portanto bastante positiva… Sim. A melhor. Superou as tuas expectativas? Superou plenamente. Estiveste com mais alguns voluntários portugueses cá em Taizé? Na primeira semana não havia nenhum voluntário português. Na segunda semana entrei eu, na semana seguinte entrou outro e na quarta semana entrou ainda outro português. Ficaste alojado aonde? Os voluntários têm uma casa só para si. No entanto, a casa tem lugar para 15 pessoas e éramos 30. Por isso, boa parte de nós dormimos nos dormitórios. Nas duas primeiras semanas fiquei aí. Nas duas últimas semanas, como estive responsável pela casa dos rapazes que estavam em silêncio, fiquei ali a dormir. Pensas voltar a Taizé? Sim. Penso que não consigo passar sem Taizé. Como já ouvi alguém dizer: «passo 51 semanas por ano à espera de voltar a Taizé». Depois desta experiência de voluntariado espero continuar a vir com certeza pelo menos uma semana por ano, mas se for possível procurarei vir por mais tempo para trabalhar como voluntário.